13 de novembro de 2011

Viagem de volta...13/11/11

...ou como viajar cansa.

E vai terminando mais uma viagem pela Europa. Foram praticamente 29 dias aqui na Europa, entre passeios, chuvas e pizza. Agora, estamos saindo do hotel e ficaremos rodando um pouco por Roma até dar o horário do taxi para o aeroporto (24km de Roma). O voo sai as 18:55 local e para em Lisboa onde ficaremos cerca de 2 horas esperando a conexão. De Lisboa, sai o voo perto da meia-noite (hora local) e devemos chegar em Guarulhos pouco depois das 7 da manhã, se não houver atrasos.

Já prevejo choque térmico e muito benegripe para evitar efeitos da mudança de temperatura.

Agora, o próximo post só deve ser mesmo nesta segunda, possivelmente assim que chegar em Campinas só pra dizer que chegamos. Depois disso vou ver se consigo fazer mais posts com fotos. Lá pelo menos é mais fácil a conexão.

Obrigado a todos que leram esse tempo todo. Escrevi muito, ficou muita coisa de fora, mas tentei colocar o principal. E se alguém teve vontade de viajar, faça. É a melhor coisa que se pode fazer. Qualquer coisa, só me contatar que eu dou dicas.

FOMOS!

12 de novembro de 2011

Último dia de passeio...12/11/11

...ou como quase ver a história acontecendo.

Praticamente toda noite em Roma, ficamos no hotel assistindo aos noticiários. Eu entendo cerca de 25% do que é falado (minha mãe por volta de 5%), mas pelo menos é algo para nos imergir na cultura local e saber mais sobre o que poderia nos afetar (através deles soubemos dos problemas na Liguria e de que saimos a tempo de Genova).

Uma das coisas que acompanhamos bastante foi a saida de Berlusconi do poder na Italia. Todo e qualquer noticiário da semana ou falava das enchentes na Liguria e Toscana ou falava da saída de Berlusconi. Nos noticiários, mostrava-se bastante o palácio do governo. Minha mãe ficou dizendo que já haviamos passado por lá. Eu tinha uma boa noção de que lugar seria e com certeza não passamos por lá. Mas isso é compreensível. Lembram-se que falei que por aqui monte de praça tem obelisco, fonte ou os dois? Pois é. Uma hora acaba-se confundindo as praças.

Por isso, resolvi que hoje iriamos visitar as praças mais importantes que estavam faltando visitar na área central de Roma. Consultando o mapa, partimos a pé mesmo. Não era exatamente longe, mas precisava andar um pouco. Um dos palácios que poderia ser o retratado nos noticiários é o Palaácio de Quirinale. Ele fica no alto de um morro, tem uma imensa estátua composta de dois guerreiros segurando cavalos de guerra e um obelisco (para variar) no meio. Mas não tinha nenhum chafariz. Mas pelo menos esse era de fato um dos locais que os noticiários mostravam com frequencia. Esse palácio é a residência oficial do presidente italiano.

Descendo pelas escadarias do Quirinale e continuando reto, saímos na Via del Corso (seguindo para um lado, chega-se até a Piazza del Popolo, visitada dois dias antes e seguindo para o outro lado chega-se até o monumento a Vittorio Emanuele, visitado alguns dias antes) e seguimos direção Piazza del Popolo até chegar na Piazza Colonna. Ali sim era a praça que os noticiários mais mostravam. Tem um obelisco? Sim, até nos moldes diferentes com uma espiral ascendente (ou descendente dependendo do ponto de vista ou opinião) mostrando cenas diversas. Tem chafariz? Claro que tem. Dois peixes feios, um de cada lado, cuspindo água. Tinha até cerco com grades, carros de polícia parados perto e caminhões de TV parados próximo. Nessa praça fica o Palacio Chigi, sede do governo italiano. Mais tarde, chegamos a passar novamente por essa praça e a quantidade de pessoas era muito maior e o bloqueio policial também. Pela TV, vimos a movimentação e soubemos que era o dia que o Berlusconi estaria para sair.

Talvez se tivessemos ficado mais tempo de tarde pela praça, veriamos essa comoção toda, ver a história acontecer. Se é que vai mudar muita coisa ele saindo. Talvez por aqui isso resolva mais que no Brasil onde se tira um polítco corrupto para se colocar outro tão corrupto quanto. Ou com os mesmos interesses que não são tão compartilhados pelo povo. Mas acho que já é o suficiente ficar no hotel vendo tudo pela TV. Deixaremos aos italianos o que é deles.

Pompeii Revisited...11/11/11

...ou à sombra do Vesuvio.

Inicialmente, esta era uma visita planejada para o começo da semana, mas como havia chovido o suficiente para ter alagamentos até na região de Nápoli, deixamos para depois. A tendência de ter sol na região ajudou na decisão. Isso e na verdade não ter mais muita coisa para visitar em Roma sem ser diferente de ruínas ou igrejas (ok, Pompéia é TODA ruína, mas é algo diferente).

Saímos até que um pouco tarde de Roma. Uma viagem de pouco mais de 1 hora até Napoli e um trem vazio que não deu oportunidade nenhuma de confusão com assentos. Ao se aproximar de Napoli, o vulcão Vesuvio era bem visível (Napoli fica a meros 9 km do vulcão) e dava para ver que ele estava bem dormente.

A estação de Napoli Centrale estava bastante diferente de 2009 quando visitei o local. Na época, uma grande obra de revitalização e o caminho até os trens da Circumvesuviana era tortuoso. Agora, bastava ir para o piso inferior e seguir um longo corredor até as bilheterias, que também foram reformadas. A única coisa que continuava a mesma eram as plataformas. Apenas 4 que levavam para vários lugares e pouqíssimas indicações de quando passariam os trens. Apenas ficavamos sentados lá esperando. Ainda bem que não tivemos que esperar muito.

O problema era que o trem é do tipo pinga-pinga. A estação para Pompéia Scavi era a 20a estação e isso levou uns bons 40 minutos para chegar até lá. Eu fiquei em pé o tempo todo, mas felizmente um assento ficou vago para minha mãe. O trem circunda toda a área do vulcão (daí o nome de linhas Circumvesuvianas) e se tem uma boa idéia das dimensões dele. A estação de Pompeii Scavi estava exatamente do jeito que eu vi há 2 anos atrás. O que mudou era que não tinha os mini-ônibus esperando turistas para levar até o vulcão (talvez estivessem no trajeto de ida ou volta), mas tinham pessoas perguntando se queriamos um passeio até lá. Como me lembrava da última vez de como era e sabia que não ia ser proveitoso o suficiente, resolvemos ficar pela cidade mesmo. Mas antes, pegamos um pedaço de pizza para aguentar o tranco (ops... eu não havia dito que ontem devia ser a última vez que comi uma pizza?).

Na bilheteria de Pompeii Scavi podia-se comprar tickets tanto para Pompeia quanto para Herculano, mas como ia ser muito trabalhoso e demorado sair de um passeio por uma e ir para outra cidade e já haviamos saido tarde de Roma, só Pompeia ja estava de bom tamanho. Entramos por uma consideravelmente ingreme ladeira com pedras que talvez fossem da época e chegamos até uma das entradas do sítio arqueológico. Não se mudou muita coisa desde a última vez que visitei Pompeia, mas tinham muitas ruas que estavam interditadas para o processo de restauração. É um pouco estranho pensar em restauração em se tratando de uma cidade destruída e em ruínas, mas na verdade é para impedir que certos muros de casas tombem devido a ação do tempo. Olhando algumas casas, percebe-se uma tonalidade e textura diferentes que deixa com uma aparência estranha, mas se é para manter o lugar por mais tempo, acho que é válido. Vide o Coliseu de Roma. Tem muita coisa lá que está coberta com tijolos simplesmente para não cair pedaços.

O problema de se estar com obras é que os caminhos já não são mais válidos. Ou teriamos menos lugares para bisitar dentro do local. Conseguimos ver alguns templos centrais e o anfiteatro que existia, mas outras ruas com muitas casas estavam impossibilitadas de se visitar. Pelo menos o local onde se guardavam os vasos encontrados da época e os corpos fossilizados ainda estava acessível. Pena que um corpo fossilizado de um cachorro que estava exposto não se encontrava por lá. No lugar, um aviso que tinha sido transferido para uma exposição na Alemanha.

Outra coisa era que o tempo estava mais limpo. Dava para se ver melhor o monte Vesuvio e se ter uma idéia do que se pode acontecer caso ele acorde novamente. Pompeia está a 10 km de distância e foi destruída. Napoli está apenas a 9 km. Muitas outras cidades estão mais próximas e inclusive existem casas construídas quase no sopé do monte! Uma rápida pesquisa depois me mostrou que no século XX houve apenas 3 erupções, algo bem atípico para o comportamento desse vulcão. Iniciativas para tentar transferir aos poucos os moradores para fora da área mais crítica vem sendo tomadas, mas muito devagar. Atualmente, o plano de evacuação pode levar duas semanas e isso considerando que eles recebam um aviso de erupção pelo menos de 20 a 30 dias antes! Espero que isso não aconteça numa das minhas visitas a Itália.

Outra coisa interessante foi minha mãe considerar que a visita a cidade de Pompeia ter sido mais impactante emocionalmente que a visita ao Santuário de Fátima (que ela considerou belo e de importância religiosa). Realmente é um pouco pesado ver todas aquelas casas destruídas e imaginar que pessoas viveram ali e morreram ali de forma rápida, porém desagradável.

Saindo de Pompeia, tivemos que esperar uns bons 20 minutos até o trem de volta a Napoli. Pelo menos ele para em menos estações que na ida, mas o trem era bem mais fulera que o da ida. Em Napoli, vimos que haveria um trem para dali a 10 minutos (estaria atrasado entretanto) e que era mais barato. Eu vi logo que seria aqueles trens entre-cidades que a qualidade não era tão boa e que a viagem iria durar quase 2 horas, mas para poder esperar pelo trem mais moderno, teriamos que aguardar tanto tempo que daria na mesma. Pelo menos essa passagem foi mais barata.

E era daqueles trens com cabines para 6 lugares. Lógico que tinha um casal sentado em nossas poltronas (ambas janelas, que consegui reservar e já entendi um bocado como conseguir escolher lugares decentes). O cara de pau do homem ainda apontou para a poltrona do lado quando dissemos que estavam em nossos lugares. Mas olhamos para os dois, dissemos novamente que nossos lugares eram aqueles e eles tiveram que sair. O pior era que o cara ficou falando e falando a viagem inteira (lembram do casal falando em alemão na fila do Louvre?) e numa língua que acho que seria hebraico. Meu conhecimento de Oriente Médio não é dos melhores. Ainda bem que consegui dar umas boas cochiladas, mas essa viagem cansou bastante.

E ainda bem que não resolvemos comer pizza no lanche. Acho que ficarei uns 3 meses sem comer ou olhar para um pedaço de pizza....

Vatican Reloaded...10/11/11

...ou como ficar passeando de Metro.

Como no dia anterior o Vaticano estava muito cheio, resolvemos ir somente no dia seguinte. Por preguiça, levantamos mais tarde e para evitar uma possível enxurrada de pessoas na estação de Roma Termini, fomos até uma estação anterior, na praça de Vittorio Emanuele (ele de novo) que era perto de onde eu havia ficado em 2009. A estação de fato estava vazia e como previsto encheu na estação de Termini.

Como chegamos um pouco mais tarde, as ruas até o Vaticano estavam bem mais cheias. Ao chegar na praça de São Pedro, tinha até mais pessoas que em 2009. Por isso que até achei estranho na época que não estava tão cheio para um verão. A fila estava longa, mas como não tinha exatamente uma limitação de pessoas, até que andou rápido. Tivemos que passar por um detector de metais que particularmente considero meramente psicológico. As bolsas precisavam passar por uma esteira por dentro de uma máquina que não tinha visor e mesmo as pessoas passando pelo detector para pessoas e o alarme aptando, simplesmente deixavam passar. Simplesmente não entendo. Semelhante ao Louvre onde precisava passar as bolsas por um raio-x (esse tinha visor e pessoas olhando para estes) mas nada impedia de você estar com algo por dentro do casaco (que não era vistoriado de forma alguma).

Entrando na basílica, percebe-se o quanto é diferente de qualquer outra igreja na Itália. Ela é mais alta, tem mais estátuas (menos que o Duomo de Milão. Não tem como ter mais estátuas que o Duomo), mais pinturas, mais ouro, etc... Ainda fico com a mesma opinião que a Basílica de São Pedro é para ostentar. Muitas igrejas católicas ficam pedindo dinheiro para tudo e esta nunca tem problemas. Fazer o que?

Tirando muitos turistas e algumas áreas que estavam com acesso restrito que não estava antes, até que consegui visitar coisas a mais, como por exemplo a cripta onde outros papas foram enterrados (existiram mais de 200. meia dúzia enterrado por ali e muitos outros em outras igrejas) e não se podia tirar fotos... que tirei de qualquer jeito. Tinham turistas tirando e nenhum guarda falou nada, então...

Saindo do Vaticano, passando pela lojinha que tinha tudo caro e pela praça de São Pedro, voltamos todo o caminho para o metro (tinhamos comprado ticket válido para o dia todo) e fomos até mais uma praça grande de Roma. A Piazza del Popolo. É mais uma daquelas praças com um obelisco no meio, fontes nas laterais e monte de carros passando ao redor. Já até começamos a ter deja vu com essas praças.

De volta ao metro e agora partimos até a igreja de San Giovanni in Laterano (não sei o que significa). Essa igreja é peculiar porque tem uma imensa calçada que leva até a igreja que é consideravelmente grande nos padrões das Igrejas de Roma. Grandes corredores laterais com pinturas diversas e estátuas para cada um dos apóstolos no corredor central.

Saindo de lá, mais uma viagem ao metro para o hotel. Resolvemos pegar pedaços de pizza no mercado e comer no hotel mesmo. Acho que essa teria sido a última vez que comemos pizza na Itália.

De tarde, saímos para mais uma passada na Fontana de Trevi. Dessa vez, tinhamos que passar por algumas lojas de souvenir para garantir alguns itens para presente. Coisas de sempre de final de viagem. Gastamos até um pouco mais de tempo visitando a fonte. Era algo que não me canso de fazer, ficar observando a fonte e as centenas de turistas passando e jogando moedas (ok, ok, fui um desses) e tentando subir em áreas que não podiam e os guardas apitando continuamente. E para variar, mais uma passada de metro de volta ao hotel. De certa forma compensou o dia. Poderiamos visitar mais algun lugares, mas pelo menos tivemos nossa cota de passeios de metro.

10 de novembro de 2011

Um dia no Vaticano...09/11/11

...ou Avemus Papa.

E chega o dia de visitar o Vaticano e cumprir a célebre frase de "Visitar Roma e ver o Papa". Acordamos cedo e depois de um rápido café da manhã, fomos até a estação de metro da ferroviaria, pois era a mais perto do hotel. Lá, tivemos uma não agradável surpresa. Estava totalmente lotada de gente. Em parte, até entendemos pelo fato de ser bem de manhã e deveria ser todo o movimento de ida ao trabalho, mas um desvio dentro da própria estação, fazendo a gente ir pela plataforma da linha B até chegar na plataforma da linha A, mostrava que algo não estava direito. No alto de uma das várias escadarias que dariam na plataforma, vimos o mar de pessoas parado lá embaixo. Sem chance de descer e enfrentar essa turba.

O jeito foi voltar e ir até a estação seguinte, Repulica, na esperança de estar mais tranquilo. A estação estava sem dúvida vazia, mas os trens estavam vindo com todo o fluxo de gente da estação Termini. Tivemos que esperar pelo trem seguinte para conseguir nos espremer. O bom era que logo nas estações seguintes o pessoal já foi saindo e ao chegar na estação Otaviano, a mais perto da praça de São Pedro, estava bem mais fácil de sair.

Chegar até o Vaticano nem foi difícil assim. Ao chegar lá pouco depois das 8 da manhã, já tinha um bocado de gente na fila para entrar na área da praça. A parte que costuma ser para os turistas estava fechada e aos pés da escadaria que leva até a basílica, várias áreas com cadeiras estavam divididas para receber as pessoas. Uma passagem rápida por detectores de metal e conseguimos chegar até a área para os que tinham convite simples (verde). Conseguimos um lugar um pouco para o lado mas pelo menos na 3a fileira. Na frente, só um grupo dos EUA mais animados que crianças indo ao circo e alguns franceses que achavam estar em casa. Na fileira de trás, uma senhoras e garotas das Filipinas que riam com qualquer coisa.

O evento só começaria as 10:30, portanto teriamos cerca de 2 horas de espera, mas mesmo assim ficamos sentados esperando. Não sabia o que incomodava mais, o sol que começava a esquentar bastante (o tempo mudou e nem um vestígio de chuva no horizonte) ou o povo que ficava em volta parecendo que era um show qualquer e não um encontro com o papa. Pior eram alguns que resolviam fumar por ali. Apesar de ser uma ampla praça, era proibido fumar e tinha uma grande concentração de pessoas em volta, incrível alguém ter pouca consideração com o resto.

Para variar, chegou 10:30 e nada do evento começar. Começou atrasado uns 15 minutos.Mas até lá, toda vez que um grupo que havia vindo para ver o papa começava a gritar, todo mundo se levantava e olhava ao redor. Isso acontecendo desde as 9 da manhã! Sério, como é que o pessoa, mesmo estando com um convite dizendo que só ia começar as 10:30, começa a ficar agitado com qualquer comoção as 9?

Mas finalmente chega o momento de começar. De início, achava que o Papa iria ficar naquela sacada que sempre mostra ele discursando, mas um palco montado no alto das escadarias, com uma cadeira ali demonstrava que ia ser diferente. O papa chega de papa-móvel, com dezenas de seguranças ao redor, acenando para todo mundo ao redor. O carro ficou passando entre os grupos de cadeiras, permitindo que todos pudessem vê-lo. Depois de dar a volta em todo o espaço, o carro sobe pelas escadarias (no meio tem uma parte que é preenchida com concreto, acho, fazendo uma rampa para o carro subir) dando a volta pelo palco montado e parando atrás. O papa sai do carro, vai até diante da cadeira, cumprimenta a todos e se senta. Começa o evento de fato.

Uma coisa que muita gente acha é que esses eventos de quarta de manhã é uma missa feita pelo Papa. Na verdade o nome é Audiência Geral e é apenasuma audiência queo Papa fala um monte de coisas, passa mensagens, suas conderações e depois abençoa todo mundo e vai embora. Tudo em uma hora e meia. No começo, ele entoa uma benção (em italiano) e logo em seguida, diversos representantes (possivelmente bispos) de várias línguas vão até o microfone próximo e falam alguma coisa. Não sei se é o mesmo padrão nas outras audiências, mas eles recitaram um salmo, o 118 (pelo que entendi, nas línguas latinas, é o 119, mas sou leigo na bíblia, portanto...). O salmo foi recitado em Italiano, Francês, Inglês, Alemão, Espanhol, Português (de Portugal) e uma outra língua que acho ser hungaro (mero chute pelo simples fato da língua não ter nenhuma palavra parecida com nenhuma outra que já escutei, qualidade única do hungaro). Logo após os salmos nas línguas, o papa fez o seu sermão em italiano.

Em seguida, cada um dos representantes, veio até o microfone e apresentou os grupos que vieram até o Vaticano. A cada menção, um grupo emalgum lugar gritava, como se fosse um programa do Silvio Santos anunciando as caravanas. Os filipinos da fileira de trás da nossa entraram no grupo que falava inglês (não me pergunte, não sei). Dos representantes da língua portuguesa, além de pessoas e famílias que vieram por conta própria (nós), apresentou o grupo da Nossa Senhora da Glória (conheço alguém que mora por perto) e mais ninguém. Só esse grupo mesmo e tinha que ser do Rio (durante a espera pelo começo da audiência, o grupo se levantou e começou a cantar "Cidade Maravilhosa"). Após cada um dos representantes falar sobre os grupos dos países e dizer que no final o Papa ia entoar o Pai Nosso em latim e abençoar a todos, o papa pegava uma folha de papel e dizia (em cada respectiva língua) o que ele considerava sobre o salmo, o que ele esperava dos fiéis e quais os tipos de conduta que deveriam ser feitos.

A última língua a ser representada foi o italiano, talvez pelo fato que a explicação do salmo em italiano fora a primeira, e ele deu recados principalmente para o pessoal das regiões afetadas pelas chuvas e enchentes no norte da Itália.

Terminada a sessão de salmos e explicações, o papa se levanta e começar a cantar o Pai Nosso em latim (letra no verso do convite) e dá uma última benção a todos. Os convidados de honra, os arcebispos e bispos fazem uma fila para apertar a mão dele e receber (talvez) uma benção exclusiva e após tudo isso, o papa volta ao seu carro que desce pela rampa, passa apenas em frente aos grupos de cadeira e sai pela lateral, deixando a praça de São Pedro (nessa hora, muita gente já tinha ido embora, que nem quando saem no final do filme e não esperam pelas cenas pós-créditos).

Já que não tinha mais papa para ver, resolvemos acompanhar o resto do povo para sair da praça. Dava-se para ver nesse momento o quanto de gente que tinha ido para lá. Nem chuto quantas pessoas tinham ali, mas era bastante. Bastante também era a quantidade de pessoas que estavam fora da praça, esperando os portões abrirem (ok, não eram portões, mas sim cancelas de madeira para isolar a área) para poderem entrar na praça de São Pedro. A fila para entrar na basílica, que estava fechada desde de manhã e só abriria um tempo depois da audiência, já estava dobrando a praça. Como era muita gente, já passava do meio-dia e a fome estava apertando pelo fato de termos tomado café da manhã bem cedo, resolvemos retornar para o centro de Roma e almoçar. Nem pensamos em visitar a basílica. Deixariamos o Vaticano para retornar no dia seguinte com mais calma. E assim termina mais uma vistia minha ao Vaticano (primeira de minha mãe) e finalmente vimos o papa (apesar de não ter ficado nem um pouco empolgado com isso).

E não. Minha mãe não tirou foto com o papa, conforme ela disse que faria.

(e disse que foi culpa minha, que eu que não quis)


8 de novembro de 2011

Dias de Roma...06 a 08/11/11

...ou como todas as nuvens vão para Roma.

E passam-se 3 dias que estamos em Roma. Cidade grande, se comparado com todas as outras que já passamos na Italia.

A viagem de Florença para Roma, pode-se considerar que foi a melhor de todas até agora. Resolvemos gastar um pouco mais e pegar lugares na 1a classe. Resultado? Lugares lado a lado, sem estar de frente para outros, ou seja, podendo esticar as pernas e ainda tem um serviço de bordo estilo vôo de ponte aérea, com um copo de bebida, um biscoito ou amendoim e um bombom no final. Até panos umedecidos tinha! Fomos no primeiro vagão, mas longe da porta. Tivemos que esperar o resto do pessoal descarregar monte de malas até conseguirmos sair.

O tempo em Roma é um pouco mais quente que os outros lugares da Italia que ja fomos, o que é bom, pois não precisariamos nos preocupar muito com agasalho, mas a previsão era de chuva para os primeiros dias. O hotel é bem perto da estação e tem cara de albergue. A recepção não funciona 24 horas, não tem café da manhã, mas tem máquina de fazer café ou chá na área comum, além de um forno de microondas e talheres que podem ser usados. Mas vamos ao resumo de cada dia.

Domingo:

Fomos até a igreja que fica bem próximo do hotel, Santa Maria Maggiore. O bom é que muitas igrejas de Roma não são pagas e permitem fotos. Logo em seguida, fomos até próximo da estação de trem procurar algo para comer. Tinha uma lanchonete que servia comida ou pedaços generosos de pizza. Só para constar: Pizza Margherita por aqui é a das mais simples, podendo ser inclusive de muzzarela com molho de tomate.

Saímos da lanchonete de pizza sem graça e fomos ver onde seria a igreja de Santa Susanna, onde teriamos que passar na terça ara apanhar os convites da missa papal de quarta. Logo em seguida, seguimos até a Fontana de Trevi. Não quis arriscar e já levei minha mãe para conhecer. Incrível que fora de época, frio e meio da tarde, a fontana tinha mais gente que quando vim em 2009 durante o verão e férias. Conseguimos nos aventurar até a beirada e fiz a minha mãe jogar 2 moedasna fonte (por garantia) para que ela volte a Roma (segundo dizem as tradições). Nesse momento tivemos nosso primeiro revés com o tempo. Começou a chover e forte. Como não parecia que seria uma chuva passageira, resolvemos voltar para o hotel, afinal teriamos que secar muita coisa.

Chegando no hotel, consideravelmente molhados, pois minha mãe tinha retirado o guarda-chuva da bolsa pois achava que não iria chover, enquanto ela se trocava, fui até um mercado que tinhamos achado mais cedo comprar alguma coisa para comer. Ou seja, primeira noite de lanches com queijo, salame e cream cheese. Chuva 1, nós 0.

Segunda:

Novamente resolvi visitar logo os pontos mais importantes. Fomos direto para o Coliseu. Na parte interna, estão fazendo uma grande obra de restauração (leia-se cobrir o que já tem para não cair mais o que tinha antes) e o Coliseu também estava mais cheio que da última vez (esse povo não tem trabalho não? E os filhos, mataram semanas de aula?). O bom do Coliseu é que o ingresso também é válido para o Foro Romano e o Palatino, que ficam do lado. Por isso fomos diretos para lá. No Palatino, muitas áreas pediam malabarismo por causa das inúmeras poças de água das chuvas anteriores. Até fomos na Casa de Augusto (muito esquema de segurança pra visitar 3 salas pequenas com afrescos caindo) e visitamos mais ruinas. Não pudemos fazer o tour completo, pois as nuvens de chuva começaram a se juntar e os pongos caírem. Dessa vez tinhamos guarda-chuva, mas duas pessoas não iria adiantar muito. Meu casaco tem capuz, portanto o aparato ficou com minha mãe. Fomos direto para o metro do Coliseu e tomamos um para Termini.

Almoço foi uma pizza dessas congeladas vendidas nos mercados e aquecida no microondas. Apesar que o forno é fraco e precisou um bom tempo para esquentar decentemente a pizza (tudo bem que o fato dela estar congelada atrapalhou, mas o forno podia ser melhor).

Na parte da tarde, resolvemos tomar o mesmo caminho tomado de manhã para o Coliseu, mas continuar mais um pouco até chegar no monumento a Vitorio Emanuelle II (aquele que tem uma estátua em qualquer outra cidade da Itália, mas aqui construíram um imenso prédio). Lógico que no horário que chegamos já estava fechado e tivemos que tirar fotos mais afastado. Antes de chegar por lá, vimos uma imensa revoada de pássaros (não consegui identificar qual espécie) fazendo um voo pelo céu. Parecia uma imensa nuvem de insetos. Devia ter centenas e centenas de pássaros e quando um grupo passava na frente de outro, formava uma massa mais escura. Fui tirando tanta foto em sequência que até minha câmera pediu um tempo para processar tanta imagem.

E advinha o que apareceu também enquanto estavamos no monumento? Chuva. Foi um pouco mais fraca, mas não dava para continuar nosso passeio. Além do mais já estava escurecendo rápido (nessa época, com nuvens, 5:30 da tarde já está escurecendo bem). Voltamos para o hotel. Dessa vez o estrago foi mínimo e não precisamos estender nada para secar (ainda bem, pois na noite anterior usamos até o secador do banheiro para acelerar o processo). Consideremos um empate, pois perdemos viagem, mas ela não nos molhou. Chuva 1, Nós 0.

Na volta, uma rápida passada no mercado para inclusive comprar mais coisas para de noite e para o café da manhã. Tem uma máquina de café, mas ou você é italiano ou precisa de uns meses de treinamento para usar corretamente. O café e até o leite saem horríveis (não, não é o café que é horrível ou a máquina que tá com problema. É o usuário mesmo).

Terça:

Nem acordamos muito cedo. Olhamos pela janela e vimos um tempo bem instável. Demoramos um pouco mais para sair do hotel. Resolvemos retomar o curso de nosso passeio da tarde anterior. Fomos novamente até o monumento de Vitorio Emanuelle e dessa vez conseguimos entrar. As diferenças que eu vi desde a última vez que estive aqui era que os andaimes mudaram de lugar, dessa vez permitindo ver mais estátuas (os andaimes foram para a lateral, impedindo uma das escadas, mas é parede que estão tapando, portanto, nada afeta) e os guardas que tomavam conta do monumento ao soldado desconhecido, que fica no alto da primeira escadaria, eram na verdade guardas femininas. Imagina duas moças, até que bem bonitas, ficarem horas ali, paradas, em pé, segurando lanças (sem duplo sentido, por favor) e olhando de rabo de olho as pessoas passarem e pararem para tirar fotos. Ainda bem que tinha um outro soldado andando no pé dos degraus que levavam ao monumento, impedindo pessoas de subirem (você pode chegar até em frente a escadaria, mas subir um degrau sequer, esquece).

Chegamos a entrar no prédio, mas nem ficamos muito por lá. Eram algumas áreas voltadas para museu de guerra, de forças armadas, etc... Como nem todos do grupo gostam de museus, resolvemos retomar nosso itinerário. Saindo do Vitorio Emanuelle e atravessando a Piazza Venezia que fica logo em frente, fomos pela Via del Corso. Num dos acessos a esquerda, viramos até encontrar a igreja de São Ignazio (não era essa que eu queria visitar, mas estava no caminho, então...) que não pagava para entrar e podia tirar fotos. De lá, seguimos pela mesma via até chegar no Pantheon. Uma ireja bem peculiar, pois ela tem formato circular, com a entrada cheia de pilastras estilo romano e no interior, a cúpula arredondada possui uma abertura no centro. Se chover, a água cai no meio do salão que é elevado, escorre para as laterais que são rebaixadas e são drenadas por ralos. Naquela época pensaram em tudo. Nessa igreja, estão os corpos dos reis Umberto I e Vitorio Emanuelle II (ele de novo), além do corpo do pintor Rafael.

Do Pantheon, saimos para o oeste, passando pela igreja de San Luigi de Francesi (eu preciso de um mapa para lembrar desses nomes todos), mais uma igreja gratuita e photo friendly e de lá fomos até Piazza Navona. Outro lugar que em 2009 estava feio por causa de obras e andaimes e hoje só o sol que surgia forte e com muita claridade que incomodava. Voltamos para o hotel, depois de passarmos pelo mercado e comprar algo para comer. Estamos de certa forma economizando, apesar que não estamos experimentando os pratos daqui.

Na parte da tarde, resolvemos ficar um pouco mais no hotel. Decisão acertada, pois começou a chover forte em Roma. Por um bom tempo escutamos a chuva cair, enquanto assistiamos televisão. A tv do hotel ainda é digital e pega canais via satélite! Tudo bem que tudo da Italia, mas pelo menos dava para se distrair. Um canal cheio de desenhos e séries da dácada de 70 que passava no começo da década de 80 no Brasil. Pena que tudo dublado em italiano. Pelo menos praticar o ouvido. Chuva 1, nós 1.

Chegou 5 da tarde. Horário que começava o período para pegar os convites para a missa papal. A chuva tinha diminuido, mas não parado. Como minha mãe estava convicta de ir à missa do papa e ia na igreja e como ela não saberia chegar lá sozinha, quanto mais falar com o padre para pegar os convites, lá vou eu junto. Pegamos chuva no trajeto. Aquela chuvinha fina, chata e constante que não para até você estar com o tenis molhado, meia encharcada e barra da calça úmida. Pelo menos achamos uma rua perto que vai dar direto na igreja, ao invés da volta que fizemos no domingo. Convites pegos e protegidos da chuva, voltamos até o hotel. Dessa vez tivemos que colocar nossas ropuas e tênis para secar. Espero que sequem direito até esta quarta. Tá complicado ficar lavando meias todos os dias e levando quase 2 dias para secar. Chuva 2, nós 1.

No final, até agora não conseguimos ver muitas coisas que eu já tinha visto da última vez que vim aqui, mas isso era previsto já que minha mãe não anda tanto quanto eu e muitos monumentos estão distantes das estações de metro, mas até agora deu para ver muita coisa importante. Agora só falta ver amanhã no que vai dar essa missa papal. Pior que teremos que acordar bem cedo para garantir um bom lugar na praça (eu não me importo de sentar lá na última fileira, mas...). Amanhã volto a postar sobre a missa.

5 de novembro de 2011

Nossa viagem e a chuva

...ou como ficar de olho em São Pedro.

Desde que chegamos aqui na Europa, só haviamos pego chuva numa tarde em Paris. É Outono no hemisfério norte e pelo que tava lendo, chuvas esporádicas são comuns. O engraçado é que sempre parece nos seguir.

Ao sair de Lisboa, o pessoal do albergue já havia falado que no final de semana seguinte teria previsão de fortes chuvas. Em Porto, foi praticamente a mesma coisa. Previsão de chuva para um ou dois dias depois de nossa saída.

Em Paris, a chuva chegou a nos alcançar, mas foi passageira. Mesmo assim, no dia de nossa partida o tempo estava nublado e ameaçava chover.

Ao chegar em Veneza, a chuva já havia passado. Chovera o suficiente para deixar tudo molhado por um bom tempo e um clima londrino. A maré encheu mais que o normal e alagou um pouco a praça de São Marco. Na saída, parecia que o tempo ia mudar de novo.

Chegando em Genova, soubemos das fortes chuvas que ocorreram na região e que afetaram diversas cidades mais ao sul nos dias anteriores. Não pegamos nenhum prenúncio de chuva, mas tivemos sorte.

Em Florença, pegamos chuva ao visitar Milão e o tempo mudou para bem nublado no último dia. A previsão é de chuva. Aqui vimos nos noticiários, que uma forte chuva (500mm de chuva) atingiu Genova, 3 dias depois de sairmos e inundou muitos lugares. 6 pessoas morreram e uma desaparecida. As imagens são impressionantes e lembra bastante aquelas que costumamos ver nas enchentes de São Paulo. Realmente foi por pouco que não pegamos chuva em Genova, pois as ladeiras que tem por lá só pioram a situação.

Neste domingo iremos para Roma. Segundo os sites de meteorologia, existe previsão de fortes chuvas para o domingo e chuvas esporádicas segunda. Terça em diante que teria tempo mais aberto. Ficaremos a semana toda em Roma. Só espero que o tempo não nos atrapalhe por lá. Senão teremos que arranjar o que fazer no hotel. Pelo menos agora já se tem uma idéia do que é viajar no Outono pela Europa.

Viagem e Tour por Florença...02 a 05/11/11

...Ou como o diferente pode ser igual.

Como estou atrasado e não teve muita coisa de tão especial nesses últimos dias, farei um resumão da viagem até Florença e esses dias passados por aqui.



Para variar um pouco, tivemos novos pequenos contratempos na viagem. Tudo por causa de pessoas quererem sentar em outros assentos, mesmo com assento marcado. Essa questão de querer sentar lado a lado. Até entendo, mas se eu e minha mãe as vezes não conseguimos, por que teriamos que aceitar dos outros? Na viagem entre Genova e Milão, nas famigeradas cabines, uma moça ficou de frescura com o sentido que o trem ia, para não prejudicar o pescoço (pelo que consegui entender). Depois de tentativas de comunicação, uma senhora que estava com a neta, se deslocou um assento para o lado só para deixar eu ficar ao lado de minha mãe. Já na etapa Milão-Florença, com parada em Bologna, até cheguei a trocar de lugar com um senhor, já que não ia mudar em nada minha localização em relação a minha mãe, mas quando teve uma outra troca que pediram para fazer justamente para ficar lado a lado, chegou em Bologna uma moça que nem quis saber de trocar de lugar. O pior, era brasileira. No final da viagem, ainda puxoou conversa com a gente e disse que já havia ido para Portugal e que achava que o povo de lá era muito frio e não gostava de brasileiros (com a atitude dela, nem brasileiros gostariam dela e fomos bem recebidos em Portugal).

O hotel até que é perto da estação de trem e mesmo com bondes elétricos passando (bondes, mas bem modernos) e ônibus, até que não pe barulhento a ponto de incomodar. Nem os trens incomodam. O café da manhã servido é até que bem variado, tendo até ovos mexidos e mais de um tipo de croissant. Dá para comer o suficiente para pensar em almoço bem tarde. Como no primeiro dia chegamos um pouco tarde, apenas demos uma passeada pelo caminho do centro até o Duomo de Florença. Nossa principal preocupação era achar uma lavanderia para lavar nossas roupas, já que as limpas estavam acabando. Felizmente conseguimos chegar no Duomo e encontrá-lo aberto. Estava próximo da hora de fechar, mas foi o suficiente para olharmos lá dentro. Parecia meio sem cuidados e até que pequeno se comparado a outros Duomos que já visitamos. Para variar, outras partes da igreja eram pagas, por isso ficamos mesmo no principal.

Dia seguinte, ja não mais feriado, achamos a lavanderia por indicação da recepção do hotel. Daquelas lavanderias self-service que ficamos uma hora olhando o tambor girar com a roupa e depois o secador girar com a roupa. Pelo menos sairam limpinhas e sem precisar nem passar. Já que não tinhamos muitas opções pela manhã, resolvemos ir para Pisa.

Em Pisa, tudo a mesma coisa desde a última vez que visitei. A torre continua torta. A diferença era que a fila para entrar só esperaria 30 minutos ao invés das 4 horas que eu tentei. Lógico que não fizemos questão de subir. Já disseram que não é lá grande coisa e como a torre não é exatamente o ponto mais alto da cidade, nem uma visão extensa teriamos. Ficamos pelo terreno da torre e minha mãe fez questão de tirar a típica foto dela empurrando a torre (isso só porque ela viu monte de gente fazendo isso). Na volta, resolvemos almoçar por lá mesmo, em um restaurante que mostrava muitos tipos de espaguete. Minha mãe estava com vontade. No final, não era muita quantidade e o preço saiu até um pouco alto pelo que foi servido. Pelo menos o macarrão daqui é bem diferente e dá mais gosto de comer. Depois de voltar de Pisa, passeamos mais um pouco pelo centro de Florença, vendo o local da Galeria Uffizi e apreciando as dezenas de lojas de jóias que tem na Ponte Vecchio. Tinha tanto ouro que não sabia se o brilho da loja eram dos spots de luz ou do reflexo dourado das joias. No meio de tudo, até uma loja da Rolex, com um simples relógio que possivelmente seria usado apenas em festas de altíssima classe sendo vendido pela bagatela de 22.830 euros (aquilo ali é um ponto, usado para separar os milhares no nosso sistema métrico. Ou seja é 22 mil mesmo). Jóias de diversos tipos por diversos preços. Incrível é que tem gente que compra mesmo. Afinal, essas lojas já estão nessa ponte faz décadas. Elas precisam pagar suas contas.

Dia seguinte, demos uma passeada pela galeria Uffizi. O problema desse galeria é que ela começa o passeio no 3o andar e as escadarias são um desafio a parte. Algumas obras estavam ausentes por terem sido emprestadas a outros museus ou galerias, mas os mais importantes estavam por ali (Nascimento de Venus e Primavera de Boticceli). Também estavam ali várias excursões de orientais (não eram japoneses, portanto ainda tem muitas opções) e que ficavam se aglomerando na frente das obras. Nem dava para esperar eles saírem, pois logo vinha outra turma. Ainda bem que eles não ficavam vendo todos os quadros assim saíam logo. Como minha mãe não é fã de museu, nem fomos para a Galeria Dell'Accademia ver o Davi de Michelangelo. Antes tivesse vindo nessa primeiro. Ainda bem que eu já tinha visto antes. De tarde fomos fazer o típico passeio de ônibus turístico, para conhecer outros lugares que ficam difíceis de saber. Curioso é que esse ônibus leva até uma vila 9 km afastada de Florença, que tinha ligações históricas fortes com a cidade (a vila se chama Fiosole e nem tem registros precisos de quando foi construída. Só se sabe que jpa existia no século 6 AC!).

No último dia de estada em Florença, fomos fazer mais uma viagem. Pegamos um trem para Milão (dessa vez, nem no mesmo vagão conseguimos ficar, mas pelo menos não teve problema de assentos) para ver o Duomo de Milão. Particularmente eu acho essa uma das igrejas mais lindas da Europa. Até mais que a catedral do palácio de Praga ou inclusive a basílica de São Pedro no Vaticano (que na minha opinião só quer ostentar). Infelizmente, ao chegarmos em Milão, fomos recebidos por uma chuva fina e constante. Pior, é que ao sairmos de Florença, estava um clima mais ameno e nem fomos com casacos certos para isso, muito menos com guarda-chuva. Tentamos ver alguma loja para comprar um agasalho para a minha mãe (eu estava relativamente protegido e aguento um pouco mais de frio), mas tudo muito caro para algo que só seria usado por ali mesmo. Por causa da chuva ficamos na região do Duomo e vistamos a Galeria Vittorio Emanuelle, que tem as lojas mais caras de Milão. Nem chegamos a visitar o castelo Sforzesco, mas não foi uma perda considerável.

Na volta para Florença, o tempo ficou melhor (nublado mas sem o frio e chuva) e assim termina uma estada rápida e tranquila na cidade onde Michelangelo se destacou e influenciou bastante todos ao redor. Nos preparando agora para ir para nossa última estada, ROMA!

3 de novembro de 2011

Fotos do aquario de Genova





Procurando Nemo...01/11/11

...ou como brincar com arraias.

Saí decidido a visitar o aquário de Genova. Ok, era carinho, mas diziam que era o mais moderno da Europa (como nunca visitei nenhum outro aquário na Europa nem em nenhum outro lugar, até segunda ordem acredito no que dizem) e passara 4 vezes por ali e tinha que visitar de qualquer jeito. Não sabendo o horário de fechamento, fui na sorte. Felizmente não tinha fila e ainda tinha muito tempo para visitar.

O prédio do aquário era extenso e vários andares, tipo do Museo del Mare, mas bem mais moderno. Existia um caminho a ser seguido e logo entrei em uma sala com uma imensa parede com um vidro reforçado, pedras possivelmente semelhantes a do porto e peixes meio que simples nadando por ali. Vários avisos diziam para não usar flash. Ou seja, fotos permitidas. Uma coisa é tirar fotos sem flash em museus. Você só precisa ficar bem parado e apertar o botão enquanto segura a respiração. Outra coisa é tirar fotos sem flash de bichos em movimento e com pouca iluminação. Muitas fotos borradas. Acho que esse lugar é realmente só para visitar e guardar na lembrança (óbvio que tinha turistas bestas tirando com flash, mas funcionários já chegavam junto e davam bronca além de um sistema de som falar em várias línguas para não usar flash. "No Flash, happy fish!")

Seguindo o caminho da exposição, um imenso tubo tanque vertical no meio de uma sala. Uma pilha de pedras no meio do tubo, peixes rodando por ali e vários buracos com moréias! Confesso que fiquei besta com o tamanho dos bichos e como eram feios. Toda hora me lembrava do verme que saía do asteróide em O Império Contra-Ataca. Engraçado que elas ficavam com parte do copor para fora, respirando abrindo e fechando a boca e quando queriam, saiam da toca para enfiar a cabeça e deixar o rabo para fora... sei lá.

Tanque seguinte... alguns peixes grandinhos (tinham placas em cima dos aquários com os nomes dos peixes, mas não dava pra decorar e muitas vezes era difícil associar a foto com o peixe) e dois peixe-boi nadando tranquilamente por entre pilares de pedra. Animais grandes esses e realmente parecem tão dóceis que é incompreensível que tem gente que mata esses bichos.

Próximo tanque. Tubarões. Assim como no anterior, só consegui tirar fotos decentes nos momentos que os animais estavam mais parados ou passando em pontos mais iluminados. Algumas espécies de tubarões estavam passeando por ali. Tinham outros peixes, mas não sei se eram colegas de tanque ou futuras refeições.

Next... golfinhos! Que não estavam por ali. Uma notificação na parede dizia que existiam 3 tanques por onde os golfinhos podiam transitar livremente, mas somente um era exposto ao público. O aquário não poderia fazer nada se os golfinhos não quisessem ir para justamente esse tanque. Ou seja, desculpa célebre da dor de cabeça. Tive que me contentar com uma foto clássica estilo flipper com cabeça pra fora da água.

Outro tanque que mereceu destaque foi dos pinguins. Uma área com algumas pedras e possivelmente ambiente resfriado e vários pinguíns de 3 espécies diferentes dividino o local, formando suas turmas. Um deles resolveu chegar perto e nadar para cima e para baixo seguindo um pai que mostrava o pinguim para a filha de cerca de 2 anos (o que mais irritava era que ele ficava batendo no viro com o dedo com anel, dando gritinhos bestas e agitando tanto o pinguim quanto a filha que dava berros e batendo nas proteções de metal). Como não tinha muito mais o que fazer com os pinguins sem eles quererem, continuei o percurso.

Muitos outros tanques se seguiram. Mostravam fauna e flora dos mares de diversas partes do mundo (não eram muitos tipos diferentes de ecossistema, mas juntavam vários tipos de peixes num mesmo lugar). Tirei várias fotos meio escuras e borradas. Depois veria se dava para aproveitar algo. Num andar inferior, tinha uma exposição de florestas tropicais e uma parte com tanques mais baixos e a parte de cima exposta para o público. Finalmente cheguei no ponto máximo daquele trecho.

Um imenso tanque raso tinha várias arraias de pelo menos 2 espécies que ficavam "planando" pelo fundo. Uma placa dizia que era possível acariciar os animais desde que fosse de forma gentil (o que todos faziam) e que não tocassem nos olhos e guelras dos mesmos (Era um pouco difícil as vezes ver os olhos, pois eram da mesma coloração da pele, mas as guelras eram evidentes). Outro ponto dizia que não era para retirar os animais da água pela cauda.

Espere um pouco. Não era permitido retirar os animais pela cauda??? Quer dizer que eu poderia retirar de outra forma, tipo segurando pelas nadadeiras?!?! Li o aviso em inglês e comparando com o aviso em italiano, não parecia ser um erro de tradução. Ainda bem que o pessoal levou na interpretação de não poder tirar os animais da água. Sorte das arraias.

Mas o mais engraçado era que algumas arraias simplesmente nadavam em sua direção caso você ficasse batendo levemente na água. Elas até colocavam a parte da frente do corpo para fora dágua, como se estivesse se mostrando. Lógico que se afastavam quando chegavam perto, mas se medisse bem o tempo, era possível estender a mão por dentro da água e passar os dedos pela superfície do animal. Parecia um couro diferente. Bem liso nas extremidades, mas bem áspero perto do centro. Parecia aquelas paredes com textura rugosa, só que um pouco mais macia. Uma arraia maior e mais escura ficava no fundo e mal se mexia. No final do meu período por ali, essa chegou mais perto da beirada e ficou ali, parada. Fiquei um tempo colocando a mão na água e acariciando o bicho. Os olhos só se mexendo e as guelras abrindo e fechando. De resto, nem parecia se incomodar com os turistas metendo a mão. Não pude brincar com golfinhos, mas esse momento valeu pelo passeio.

Ali era praticamente o final do passeio. Ainda tinha uns poucos tanques com águas-vivas e outros peixes, mas com menos impacto do que no começo ou com as arraias. Lógico que tinha tanques com os famosos peixes-palhaço, mais conhecidos pelo Nemo do filme, mas até esses eram sem graça. Se esse era o mais moderno e um dos melhores aquários da Europa, nem quero ver o pior ou o menor. Mas deu para ficar um bom tempo ali e serviu como último passeio por Genova antes de seguir adiante na viagem pela Itália.

Último dia em Genova...01/11/11

...ou como enfrentar o sono.

E acaba o mês e começa outro. E mais um dia em Genova com o café da manhã com dona Paula já sabendo o que queriamos. Atendimento praticamente particular, pois depois dos dois primeiro dias, somente nesse que entrou mais um hóspede. Isso ajudou pois não tinhamos problema com o banheiro (que seria compartilhado com mais um quarto) e o café da manhã era tranquilo.

Saímos andando pela cidade para ver como seria o ambiente durante um feriado. Como costumamos acordar cedo, as ruas sempre estão relativamente vazias, mesmo até as que costumam ficar mais movimentadas. Fomos passando por agumas igrejas, mas pelos horários, as missas ainda demorariam ou já teriam terminado. Na Piazza Ferrari, havia uma igreja (Chiesa del Gesu) que várias pessoas estavam entrando. Acabamos seguindo o fluxo e a missa estava prevista para dali a 10 minutos. Minha mãe queria sentar lá pelas primeiras fileiras, mas com um pouco de resistência, consegui fazer com que sentassemos mais para o fundo. Mesmo sentados esperando uma missa de Todos os Santos, ela disse que não faria o repetitivo ritual de senta/levanta que tem em todas as missas. Eu que não sou religioso e ela que não queria seguir o ritual. Dois turistas em uma terra estrangeira, acompanhando uma missa numa língua não familiar e que ficariam sentados o tempo todo. Espero que os fiéis não sejam ortodoxos.

E começa a missa. Todos de pé (menos nós dois e duas pessoas de mais idade que acho que tinham problemas nas pernas) e um padre começa a falar o conteúdo do programa. Mesmo que não entendesse muita coisa, poderia ter pego o programa. Pelo menos saberia se faltava muito para acabar. Tinha o assistente que ficava no órgão, tocando música e cantando nos pontos indicados e um padre mais velho esperando a deixa para começar o sermão.

Confesso que acordando cedo todos os dias, estando sentado e parado, escutando um sermão de padre numa outra língua, foi uma enorme dificuldade não demonstrar que estava com sono (talvez demonstrar sono não fosse o problema. Pior era dar aquela famosa "pescada" com a cabeça que denuncia de longe).

Missa rolando, padre dando sermão, assistente tocando e cantando. Um senhor na fileira de trás lembrava o Cid Moreira recitando passagens da bíblia (em italiano) com uma voz cantada e grave. Quase senti incomodado de não seguir o ritual. Apenas olhando para frente, fingindo que não era comigo. Qualquer coisa dizia que era minha mãe que queria ver a missa (o que era verdade) e como ela não entendia nada, não teria problema em alegar ignorância. Mas não ficamos até o final. Depois de passarem as sacolinhas (pessoas da igreja bem melhor vestidas que a melhor beata dali) e dos cumprimentos entre os fieis (mesmo estando sentados, os outros nos estendiam as mãos para cumprimentar. Educados pelo menos eles são), resolvemos sair da igrejade fininho durante a entrega das hóstias. Aí já seria pedir demais ficar até o sermão final. Ao nos levantarmos, vimos que a igreja encheu bastante desde que entramos nela. E ainda teriam outras missas até o final do dia.

Chega de missa. Continuamos a Via San Lorenzo até o porto. Andamos até pouco depois do aquário (mais tarde faria uma visita) e fomos até uma espécie de doca para pedestres que ficava ancorado no porto e tinha vários bancos para as pessoas sentarem e curtirem a paisagem. Ficamos sentados lá vendo a vida passar (na verdade a maré e as gaivotas voando e pousando na água) por um bom tempo. Simplesmente adaptados ao clima parado de feriado.

Na saída de lá, tentamos achar um lugar para pegar coisas para comer, mas muitas lojas estavam fechadas. No final, optamos pelo mais fácil. Voltamos para o albergue e comemos sanduíches com salaminho e queijo. Não foi das melhores opções, mas Genova não tinha muita coisa aberta para escolher. Aproveitamos o momento para descansar um pouco e colocar as coisas em dia. Depois de algum tempo, minha mãe resolveu que ficaria pelo quarto mesmo. Resolvi que ainda exploraria um pouco a cidade e deixando o notebook ligado com ela, resolvi sair sozinho e procurar Nemo...

2 de novembro de 2011

Sobre fotos no blog....

Só para explicar. Os últimos posts estão sem fotos por uma questão de agilidade. Como estou relativamente atrasado com os posts, toda vez que tentava postar um com fotos, o upload demorava um bom tempo, isso se não precisasse repetir o processo. A transição do wordpress para o blogspot apenas diminuiu o problema de upload das fotos. Por isso, mesmo que eu tivesse escrito um post anteriormente, o processo de upload de fotos e postagem do post poderia levar 30 a 40 minutos. Como também preciso fazer outras coisas na internet, como procurar locais, reservar hoteis, checar mails, acabava deixando apenas 1 ou dois posts por dia, atrasando tudo.

No momento, em Florença, a internet no quarto varia entre 1 e 2 palitos, o que dificulta bastante o upload. Quando eu conseguir uma conexão melhor, vou fazer um ou mais posts apenas com fotos tiradas nos locais e uma breve descrição do lugar.

De tudo o mais, continuem seguindo a minha viagem.

Obrigado pela preferência!

Passeando pelo porto...31/10/11

...ou como o porto realmente é grande.

Precisavamos desgatar todas aquelas calorias da focaccia do almoço. Vamos novamente para o porto. Pelo que vimos, o porto é o point principal da cidade. Isso e a XX de Settembre (que passamos novamente por ela. Eu disse que fariamos muitas vezes). A intenção era continuar até mais adiante no porto (na primeira vez paramos no Museo del Mare e na segunda viemos no caminho inverso) talvez até a Lanterna de Genova (nada mais que o farol da cidade mas que tem mais de 450 anos e construído em um lugar usado para orientaçãod e navios desde o século XII). Mas novamente paramos bem antes até que do Museo. Vimos um barco de passageiros atracar e várias pessoas saindo dele. Um painel com vários anúncios mostravam diversos tipos de passeio e pelo que vimos, aquele barco faria um passeio pelo porto de Genova, numa viagem de 50 minutos e por um preço barato. Diversão a baixo preço e gastando tempo? Estamos dentro.

Sentamos no deck superior, bem na frente, para garantir uma boa visão. Lógico que isso nos traria de frente com o vento, mas estavamos previnidos. O passeio começa e tem guia falando pelos alto falantes. Tudo em italiano. Precisei me concentrar bastante para pegar os principais pontos sobre cada lugar que a guia descrevia. Em suma, foi o que pensei. O porto de Genova seria um dos principais portos da Itália. Ponto de destaque em qualquer cruzeiro de passageiros pelo Mediterrâneo, rota para vários navios cargueiros que vinham para ou da Itália e outros países e com uma enorme capacidade de atendimento a passageiros (mais de 500 mil de cruzeiros e 3 milhões para Turquia e outros países do Mediterrâneo) e carga (milhões de toneladas de produto por ano). Isso tudo tendo começado a ser construído no século VI. Um extenso quebra-mar de mais de 2 quilômetros de comprimento e mais de 50 metros de altura, impedia as intempéries do oceano em dias ruins. Diversas estruturas foram construídas para abastecer e prestar auxílio a diversas embarcações e um pátio com gigantescos guindastes forneciam o carregamento e descarregamento de produtos. Também do barco, era possível se ter uma visão da geografia de Genova. A princípio, parecia um imenso favelão, com inúmeros prédios amontoados um ao lado do outro, subindo as encostas dos morros. No alto do complexo de morros que cercavam Genova, 5 grandes castelos construídos para a proteção da cidade e do porto (dali pudemos ver que um desses castelos ficava mais acima da estação de Zighi no funiculário). Passeio até que rápido, mas serviu para conhecer melhor a cidade.

Passeamos mais um pouco pelas ruas da cidade, vendo o comércio (há também uma FNAC por aqui) e havia várias pessoas fantasiadas para o Haloween. Não era exatamente uma tradição, mas muitas lojas estavam enfeitadas para a ocasião e pessoas aderiram ao hábito. Agora só nos restava esperar pelo feriado dia 1.

Comida típica Genovesa...31/10/11

...ou como ter tanta caloria em tão pouco.

Na volta do funiculário, fomos pelas vias até o porto, mas paramos em uma espécie de padaria para finalmente comprar o que seria o prato típico da cidade (apesar de ter em outros cantos e não ser exatamente um prato, o considero aqui para efeitos de narrativa).

Focaccia!

Podem pensar que seria semelhante as Fogazas vendidas no Brasil. Digo o que uma amiga minha que mora em Milão disse. Nada poderia ser tão longe da verdade. A palvra Fogaza nem quer dizer nada e não tem nada de semelhante as legítimas focaccias. É uma massa semelhante a do pão ou pizza, só que ao assar no forno, coloca-se azeite para não ficar seco. A aparência é um pão cheio de ondulações e seco, mas ao pegar e comer, realmente é uma massa macia e gordurosa. Considera-se bem calórico. Pegamos um bom pedaço de focaccia e vários outros exemplares de doces que vendiam ali. Como aquilo ali era para levar, então levamos de volta para o albergue. Foi uma refeição estilo fast-food, mas pelo menos podemos dizer que experimentamos da cozinha local.

Segundo dia em Genova...31/10/11

...ou como subir pelo buraco.

Amanhece novamente em Genova. O dia não se decide se vai fazer mais ou menos frio que o anterior. Café da manhã de sempre, porém durante a noite anterior, chegou uma família grande para os quartos restantes. Até onde conseguimos ver, 4 adultos e 3 crianças. Ainda bem que acordaram bem depois e pudemos tomar café da manhã em paz.

Por garantia, resolvemos ir até a estação de trem garantir as passagens de nossa próxima etapa. A senhora do guichê sabia um pouco de inglês, mas a comunicação foi um pouco difícil. Ela não entendia direito a data que eu queria e até pegou um calendário na parede para que eu apontasse a data correta. Por causa de nossa experiência anterior, queria até tentar pegar a 1a classe (diferença de 5 euros) mas na troca de informações truncadas, acabamos ficando novamente com a segunda classe. Pelo menos eram lugares lado a lado (de frente para o outro na janela da cabine com 6 pessoas, mas mesmo assim melhor que ser em cabines diferentes).

Subimos pela XX de Settembre (vamos passar muitas vezes por aqui) e tomamos um outro caminho ao chegar no chafariz da Piazza Ferrari. Novamente chegamos a Via Garibaldi e agora ela parecia ser melhor durante o dia. Não perdemos muito tempo por ali, pois minha intenção era outro lugar. Mais para frente, chegamos a uma praça (nem todas as praças por aqui são pedaços de terra cercados de ruas. Um entroncamento de ruas com um espaço mais largo entre elas acaba ganhando esse título) onde um prédio discreto abrigava o funiculário Zecca-Righi.

Funiculário. Procure no google caso não acredite.

Um elevador para subir pelo morro até um lugar mais alto. Genova tem vários. Lógico que existe acesso por ruas e até a pé, mas o elevador ajuda mais. Um passeio de 15 minutos por dentro da rocha nos levou até a estação de Righi. Um ponto onde se tinha uma ampla visão da cidade. Em Sacre Couer em Paris tinha um, mas nada comparado com esse aqui, em se tratando de extensão. Uma coisa que descobrimos depois era que lá no alto, não era exatamente o máximo que achavamos que poderiamos ter ido. Tinha umas extradas que subiam, mas não sabiamos o que tinha por lá e o ticket do funiculário estava expirando. Tirei várias fotos da cidade e nos pusemos a descer novamente. Hora mais uma vez de procurar almoço. Dessa vez seria mais cedo.

Tarde/Noite em Genova...30/10/11

...ou como o feriado parecia estar em lugar errado.

Era domingo. Restaurantes relativamente cheios. Apesar de termos chegado nos momentos finais de um deles. Era um restaurante com menu fixo assim como o preço. Macarrão a bolognesa, frango com batatas e uma bebida. Lógico que fomos disso. Tentando entender as coisas, descobrimos no meio do caminho que o frango havia acabado. As opções eram uma salada mista e algo a parmeggiana. Escrevi esse "algo" porque na verdade não havia captado exatamente o que era. Mas algo a parmeggiana no lugar de frango, meu cérebro assumiu ser bife. Minha mãe pediu a salada. Esperamos e descobri o que era a parmeggiana. Berinjela.

Odeio berinjela e não estava disposto a começar a gostar. Ainda bem que minha mãe pediu salada. Ela pegou um pouco da salada e juntou com a berinjela e eu peguei o resto da salada. Depois eu fui procurar na internet como era berinjela em italiano (melanzana), mas não parecia ter escutado eles falarem isso. Demos uma rápida volta ao albergue, pois o restaurante estava sem banheiro e voltamos a nos embrenhar pela cidade. Resolvemos tomar um outro caminho que subia uma longa ladeira (nunca mais pegamos esse caminho durante nossa estada por aqui. Minha mãe fez questão disso) e fomos conhecer a via Garibaldi. Mais um lugar que descobrimos que teria sido melhor durante o dia. Muitos prédios de bancos que os saguões internos eram abertos ao público com algumas pinturas e estátuas. Não sabendo mais o que fazer por ali, uma vez que já estava anoitecendo (saímos tarde do museu e o almoço fez com que a tarde passasse rápido) pegamos uma viela intencionando ir até o centro histórico.

Essa viela era uma longa jornada por lugares mal iluminados, em obras e com travessas perpendiculares que lembravam becos de favela. O bom era que muita gente descia por ali. O ruim era que não acabava nunca. As vias de Genova são desse jeito. Muitas delas se estendem por quarteirões e como a cidade é nas encostas de morros, tudo é uma longa ladeira. Ao final da viela, uma praça e várias ruas saindo para lados diferentes. Serviu para algo, pois encontramos um Carrefour express (até aqui tem, ainda bem) e pudemos comprar as coisas que comeriamos nas noites seguintes. Depois de mais uns giros, saímos na Via San Lorenzo, da catedral, e subimos o longo caminho para o albergue. Uma coisa que chamava a atenção era que muitas lojas estavam com avisos nas portas dizendo que não abririam ou no dia 31 ou no dia 01 ou em ambos... feriado seria dia 2. Estariam os italianos mais acomodados que os brasileiros e querendo enforcar mais do que devia? Estava parecendo que talvez o feriado de Finados não fosse exatamente um feriado ou talvez dia 1 também fosse feriado. Precisavamos confirmar isso. Especialmente pelo fato de talvez precisarmos depender de lojas e ou mercados para nossas compras diárias.

No dia seguinte, confirmei com Francesco que de fato dia 1 e não dia 2 era feriado. Antigamente os dois dias eram feriados, mas o dia 2 foi removido. Ou seja, comemoram com feriado o dia de Todos os Santos e não Finados.

Primeiro dia em Genova...30/10/11

...ou Colombo nasceu aqui.

Se lembra que eu disse que estavamos tendo sorte com o café da manhã dos albergues? Aqui também foi assim. Existe um casal que cuida do albergue. Paula e Francesco. Ficamos com a opinião que Francesco cuida única e exclusivamente de receber os hóspedes. Paula que realmente toma conta de tudo. Ela que que recebe o pagamento e faz os recibos, limpa o albergue, arruma as camas dos quartos, limpa o banheiro e faz o café da manhã. Quando chegamos na sala, ela nos recebeu com um sorriso e pergunto o que queriamos: café, chá, leite, capuccino ou chocolate quente. Enquanto minha mãe ficava com o hábito do café, resolvo ficar no capuccino. Como opções, ainda tinha cereais, bolos, pão com uma torradeira, cream cheese, manteiga, geleia, iogurte, suco de laranja, biscoitos amanteigados, queijo e um tipo de presunto que parecia o presunto parma. Aparentemente os italianos devem comer bastante durante o café da manhã (ou pelo menos a Paula achava). Um outro casal e um senhor estavam no albergue e compartilharam a mesa. Como nem eu nem minha mãe falamos italiano, ficamos boiando.

Saindo do albergue e recebendo um clima frio de Outono, descemos o morro e fomos direto para a praça Colombo (aquela cheia de gente da noite anterior) e seguimos até chegar na XX de Settembre. Agora com a luz do dia, ficava mais fácil admirar os imensos arcos que cobriam as lojas de ambos os lados. Uma coisa que precisa ser comentado é que os prédios são antigos e praticamente todos com a mesma altura (altos, tipo 5 a 7 andares). Segundo Francesco, muitos prédios variavam entre os séculos XI e XVIII ! Com certeza os mais antigos devem ter recebido uma renovação na fachada, pois estavam todos pintados, bonitinhos, parecendo ter apenas 30 anos. Outra coisa a se notar era que os prédios construídos nas transversais das principais avenidas eram muito juntos um dos outros. As vielas eram tão estreitas quanto em Veneza e as ruas que seriam um pouco maiores eram que nem as ruas de Praga. Nos desviando um pouco do caminho, antes de chegar na Piazza Ferrari e seu imenso chafariz, viramos na Via Dante e fomos até o que seria uma das grandes portas que existiam na antiga Genova.

Pelo que li, Genova possuia mais de 1500 muralhas para dividir e proteger a cidade de ataques de invasores. Em muitos pontos, imensas portas ladeadas por altas torres permitiam o acesso a diversas partes da cidade. Estavamos diante de uma dela. É interessante notar que até as muralhas eram altas. Tipo, 50 metros de altura. Realmente eles deveriam ter problemas cominvasões na época. Antes de chegar na porta de fato, uma construção nos chamou a atenção. Era um espaço aberto onde uma construção com pilares baixos delineavam um local que, segundo mapas e guias turísticos, seria onde Cristovão Colombo teria nascido e crescido. Dizem as lendas que ele era genoves e havia nascido ali e só quando adulto resolvido ir para Portugal. Lógico que a casa não está mais lá, mas monte de lugar turistico pela Europa só tem uma placa indicando algo importante.

Passando pela Porta, seguimos morro abaixo (as portas ficam no plano mais alto daquele morro onde fica a XX de Settembre) na Via San Lorenzo. Essa via seria uma passagem principal pelo centro histórico de Genova, ligando a praça Ferrari com o porto. Também nessa via se encontrava o que seria a catedral metropolitana de Genova. Resolvemos parar por ali e entrar para conhecer. Já imaginando regras contra fotos, guardei a máquina, mas logo percebi que tinham turistas tirando fotos. E a igreja não era paga pra entrar! Aliás, o que mais vi foi igrejas e locais turísticos gratuitos e sem problemas com fotos, desde que tiradas sem flash.

Seguindo o caminho do porto, encontramos o equivalente a Praça XV no Rio de Janeiro. Um imenso calçadão com acesso restrito a carros e um elevado passando por cima como rota do trânsito. Muita gente estava passeando por ali e aproveitando o domingo. Logo vimos um dos pontos turísticos bastante procurado da área do porto de Genova. O aquário de Genova. Uma enorme fila de pessoas desestimulava o passeio, ainda mais que se observava que eram entradas em horários programados. Teriamos que deixar para depois. Continuando o caminho do porto, vemos três coisas de destaque: pessoas andando no sentido contrário, muitos estabelecimentos com temas marítimos e inúmeros vendedores africanos vendendo bolsas, camisas, agasalhos e brinquedos (muito provavelmente falsificados). Pelo menos não eram do tipo que ficavam tentando chamar a atenção. A menos que você resolvesse parar para ver algum produto.

E eis que chegamos até o segundo ponto mais procurado no porto de Genova. O Museo del Mare. Um imenso prédio de 3 andares (4 se considerar o terraço) com temas cobrindo a história marítima de Genova. Como o preço estava mais em conta e a fila pequena, eis que encontramos nosso primeiro programa de fato na cidade.

O prédio começa com a história de Genova desde o século XV, mostrando como era o porto e as obras que continuamente eram realizadas para melhorar um ou outro aspecto. Impressionante os feitos de arquitetura e planejamento para montar uma imensa estrutura como aquela suficiente para suportar navios de qualquer tamanho e finalidade. Seguindo o curso, tinhamos uma sala dedicada ao Colombo, inclusive mostrando certos documentos de autoria do mesmo, que indicavam que ele de fato seria de Genova (existem controvérsias, mas como estamos em Genova, vamos acreditar e concordar). Várias maquetes mostrando os barcos da época e alguns paineis falando sobre algum tópico específico (estavam em italiano, mas era possível entender o sentido geral).

Após a parte dos séculos XV e XVI, segue-se a época dos barcos a vela. Muitas maquetes, instrumentos antigos e pinturas retratando tudo. Próximo ponto e andar, barcos movidos a vapor. Tudo razoavelmente coberto com textos, mapas, maquetes e tudo o mais. Mas o mais interessante foi o 3o andar.

Uma mostra interativa de como era a época da imigração italiana para outros países, principalmente as Américas. Recebiamos uma réplica de um certificado de embarque e um passaporte (nomes tudo iguais, mas um adesivo com código de barras mostrava a diferença entre eles). Logo no começo, um painel com uma TV simulava um guichê para embarque no navio. Passando o código de barras do passaporte, um funcionário (através de um filme gravado) contava quem você era, o que fazia e para onde ia. Outros detalhes eram revelados. Lógico que tudo foi em italiano, mas consegui pegar um ou outro detalhe. O problema era que precisava saber o meu e o da minha mãe.

Logo depois do "check-in", entravamos em salas simulando o interior do barco usado para as viagens. Tudo bem apertado e vários painéis indicando os problemas que os imigrantes passavam para chegar ao seu destino. Passeio interessante, especialmente para se ter uma idéia de conforto (sua ausência, claro), higiene, comida e saúde. Ao final do passeio, existia um outro guichê simulando a imigração nos EUA. Precisavamos passar o passaporte e responder uma série de perguntas feitas pelo fiscal e dependendo das respostas, seriamos aceitos ou não no país. Lembra do primeiro guichê com as informações pessoais? Pois é. Eu ia ter que responder tanto para mim quanto para minha mãe. Eu não sei se era algo do tipo "sabemos sua história, se responder errado mandamos você de volta", mas consegui responder direito para eu ser aceito (era um comerciante com negócios nas américas). Entretanto não consegui manipular as respostas para minha mãe ser aceita (a explicação da vida dela era bem vaga) e ela teve que voltar (freedom!). Uma outra parte do andar mostrava o funcionamento e a vida dentro de um submarino, mas todos os vídeos em italiano não ajudavam muito. No final, existia até uma prova de múltipla escolha para ganhar um certificado. Consegui ganhar facilmente para a minha mãe, mas na minha hora, sem querer vieram as perguntas em italiano. Meu chutômetro foi ótimo. Saímos do museu com certificados de marinheiros de submarinos e uma perspectiva melhor (ou não) de vida nas Américas.

Saindo de lá, almoço, pois já estava ficando tarde.

1 de novembro de 2011

Primeira noite em Genova...29/10/11

...ou O que tem aqui mesmo?

Saindo do albergue e descendo o pequeno morro onde ele fica, conseguimos avistar ao longe uma imensa aglomeração de pessoas. Como no momento não tinhamos mesmo muito o que fazer já que estava para anoitecer, resolvemos ver o que era. Nada mais que uma aglomeraçao de pessoas mesmo. Numa concentração de ruas que desembocam em uma praça. Como hoje é sábado, isso significa que aquele era um dos points da galera genovesa. No caminho, achamos um mercadinho, dois restaurante e uma padaria (que nos dias seguintes não ajudaria muita coisa) e ainda um mercado tipo o municipal de Campinas, chamado Mercado Orientale. Um imenso saguão circular com um anel externo vendendo tipos de carne, um intermediário com frutas e alimentos em geral e um interno com roupas e afins. Interessante observar o tipo de produto que cada um vende, descobrir os nomes diferentes e tentar fazer comparação de preços (o "pedacinho" de bacalhau estava bem mais barato do que no Brasil, considerando que era uma peça inteira). Minha mãe deu várias mostras de não saber o caminho de volta por onde entramos graças a tantas voltas que demos. Ainda bem que eu estava marcando pontos geográficos para me orientar.

Saindo do mercado, entramos em outra rua próxima que subia fazendo uma suave curva. Subimos por ela por ser rua de pedestres e ter bastante movimento de pessoas. Ao final, chegamos numa imensa avenida de duas mãos que depois descobri ser a principal de Genova. A XX de Settembre. Com um trecho com longos arcos cobrindo as calçadas, essa seria uma das mais movimentadas de pessoas, tudo por causa das lojas que ali ficavam. Todas aquelas lojas de marca estavam ali. Poderia se comparar até com a Champs Elysee (guardando-se as proporções, claro) com tanta marca famosa e a quantidade de pessoas.

No alto da Via (aqui não parece ter nomes como rua ou avenida e sim vialle, Via entre outros) chegamos na Piazza Ferrari, que seria a principal praça de Genova, com o palácio Ducalle (pelo visto, Ducalle seria um título, pois palacios Ducalle são encontrados em vários lugares) e um imenso chafariz central com pessoas ao redor. Como estava já ficando de noite e escuro, voltamos pela XX de Settembre pela outra calçada, para podermos ter visto ambos os lados. Voltando para a praça que vimos no começo (Piazza Cristovao Colombo) e adiante até encontrar o mercadinho visto antes. Preços em conta, algumas coisas interessantes, resolvemos comprar o suficiente para a refeição noturna e voltar para o albergue.

Lanche com pão de forma, cream cheese, queijo emental (era para ser queijo que se derrete em misto-quente por exemplo, mas decidimos comer frio mesmo) prosciutto (vulgo presunto) e uma bebida láctea com chocolate. Como ainda tinhamos o cuteau (de Paris), fizemos sanduíches e assistimos um pouco de noticiários italianos. Sem entender nada, mas sem problemas. O único que teve foi o fato de todo dia 29, temos uma tradição de comer nhoque (gnochi por aqui), mas não conseguimos encontrar nada aberto que oferecesse o prato, portanto tradição suspensa pelo mês. Sono continua pesando, portanto dormir para tentar aproveitar o dia seguinte.

Minha mãe perguntando na volta o motivo de estarmos aqui, uma vez que até o momento ela só havia visto um trânsito caótico(não chega ser tão caótico assim, mas nunca se sabe se pode ou não atravessar um sinal). Eu lembrei a ela que estavamos ali justamente pelo fato dela ficar lendo revistas de passeios turísticos e ficar repetindo várias vezes que queria ir para a Liguria. Bom, estammos aqui (nota mental, realmente não deixar minha mãe ler nenhuma revista de turismo enquanto se planeja uma viagem). Não vimos o que seria o principal por aqui, que é o porto, mas já dava para perceber que a cidade tinha seus pontos altos (de fato, varios pontos altos em morros ao redor).

Viagem para Genova...29/10/11

...ou como escutar drama alheio em outra língua.

A última manhã no albergue em Veneza foi tranquila. Tivemos a oportunidade de ver os novos hóspedes do quarto ao lado. 4 garotas, provavelmente americanas de alguma faculdade que viajaram juntas (e já aprontaram, pois na noite anterior já tinha um rapaz no quarto com elas e durante a manhã uma delas saiu correndo da mesa passando mal). Interessante que elas não ficaram acanhadas com a nossa presença na mesa e saíram conversando, mas quando eu fui falar com a Meg em inglês, elas ficaram quietas. Acho que não imaginavam que aquelas caras de latinos nossa falariam inglês (fato curioso: até o momento ninguém achou que falavamos espanhol quando diziamos ser do Brasil, ao contrário do que ocorreu comigo em 2009 no leste europeu) e ficaram quietas pensando no que poderiam falar ou não. Outr fato interessante é que Meg agora já fala diversas palavras em português, graças ao empenho de minha mãe em não querer conversar com o pouco de inglês que ela sabe.

Saíndo de Veneza. Pelo menos de dia podiamos apreciar um pouco melhor a paisagem. Muita neblina no caminho. Impressionante como a neblina realmente pegou por aqui. Outra coisa impressionante é o fato de eu comprar duas poltronas juntas e a máquina de bilhetes nos dar duas poltronas uma de cada lado do corredor. Bom, como o trem não costuma encher mesmo, arriscamos. Na verdade, acabou aparecendo pessoas para as poltronas marcadas, mas por aqui o pessoal não se importa com isso não. Se tiver outras poltronas por perto eles preferem não ter o trabalho de discutir e sentar em qualquer lugar mesmo. Além do mais, era uma viagem de pouco mais de 1 hora e meia. Nada dramático....

...até chegar em Milão.

Milão está se mostrando uma cidade que nos traz aventuras nos trens. Dessa vez não foi diferente. Não querendo arriscar problemas com conexão, resolvemos deixar para comprar as passagens para Genova por aqui. Para não entrentar a longa fila que já imaginava que teria nas bilheterias, achei os guichês automáticos e comprei duas passagens lado a lado. Pelo menos foi o que pensei ter feito. Esse sistema de auto-atendimento é rápido e prático, porém, existe um pequeno detalhe. Você pode até escolher o assento que quer, mas tem uma mensagem informando que caso não esteja disponível aquele assento escolhido, o sistema escolhe pra você. O problema que só se descobre se conseguiu ou não depois da compra, ao se imprimir os bilhetes. Resultado: nossos assentos não pareciam ser lado a lado (a menos que a lógica ilógica dos assentos que ja vimos, como por exemplo 33 ser ao lado de 38, ter um assento número 15 e outro 32 não seria lado a lado).

Eu havia me esquecido como eram os trens Intercity (entre cidades). Esses trens são cabines com dois bancos de frente ao outro e cabem 2 pessoas por banco (1a classe) ou 3 pessoas (2a classe). Existe um pequeno adesivo na porta indicando quais assentos em cada cabine e sua disposição. De fato, um dos assentos era na primeira cabine e outro 2 cabines depois. Não tinha outro jeito. Tivemos que ficar separados, ainda mais que o trem estava enchendo bastante (era um trem que ia de Milão para La Espezia e parava em várias outras cidades, portanto devia encher de fato).

Minha mãe ficou na cabine mais pro meio, já que o assento era do corredor. Depois da viagem ela contou que havia um homem de terno e gravata que parecia querer estar na 1a classe (mas teve que ficar a contra-gosto na 2a) e não queria nada na cabine atrapalhando a paz e a ordem. Olhava feio se alguém pegasse um sanduíche (que eu fui na cabine pegar um na bolsa de minha mãe) e nem fazia questão de dar licença para as pessoas passarem (queria ter trocado de lugar com ela). Por precaução, resolvi sentar no assento do corredor de minha cabine, para poder chegar até minha mãe mais rapidamente em caso de problemas. Na verdade, isso foi impulsionado pelo fato que quando voltei, existia um casal de senhores e um deles sentado na minha poltrona oficial que era na janela. Quando fui falar com a minha mãe e voltei, outro rapaz estava na outra poltrona no corredor que eu intencionava sentar. Sentei de frente a ele, na outra poltrona do corredor. Bagunça total. Depois descubro que o casal de senhores tinham passagens, mas sem lugar marcado. Simplesmente pegaram o primeiro lugar vago que encontraram. Mas nem eu nem o outro rapaz (que visivelmente era do outro assento ocupado) nos importamos com isso. Mas acabou chegando uma moça já dizendo que o assento ocupado pela senhora era dela e botou os dois pra correr (não exatamente assim, mas ela não estava a fim de ficar em outro assento e fez questão de mostrar isso). Vai o casal de senhores procurar outros lugares em outro vagão e vai assim começar uma longa viagem sonora...

Para não perder a parada em que tinhamos que saltar, eu precisava tanto ficar atento ao locutor anunciando as paradas, quanto resistir ao imenso sono que estava tendo. No troca troca de assentos, o rapaz que antes estava de frente para mim foi pra janela, uma outra senhora com problemas numa das pernas sentou diante de mim e um senhor africano (sejamos politicamente corretos) sentou no meio. Aliás, ele foi o único que nem quis saber e colocou as próprias bolsa no assento vago. Até aí, sem problemas. Mas começou o drama mexicano.

Aquela tal que havia chegado e posto o casal de senhores pra correr, sentou e já foi para o celular. Começou uma longa conversa com alguém e isso em uma língua que não consegui identificar. Não era italiano. Parecia alguma lingua eslava (conheço russo e ucraniano o suficiente para reconhecer, mas apesar de ter uma ou outra palavra conhecida, não era nenhuma das duas. Talvez bielorusso ou até búlgaro) e ela começou a se exaltar e se mostrar estressada com a conversa. Isso durante a viagem toda. Uma hora e meia de discussão sobre alguma coisa pessoal e em voz alta. Os demais da cabine irritados e eu me controlando para não abrir a janela e dar um fim ao celular. Ainda mais quando ela começou a falar chorando. Aí sim tornou a viagem mais torturante.

Felizmente uma hora e meia passou rápido. Era para termos saltado do trem em Genova Principe, mas vi pelo mostrador e de acordo com o locutor que o trem pararia em Genova Brignole (parada mais perto do albergue). Não tinhamos passagem para lá, mas como o bilheteiro já havia passado, quem se importa? Saltamos e deixamos para trás toda a novela internacional. Comentando com minha mãe, ela disse que de fato havia escutado uma mulher falando alto, mas achava que eram duas pessoas conversando em outra cabine.

Outra coisa boa era que o albergue ficava uns 10 minutos caminhando (passo relativo com minha mãe e malas para puxar) da estação de trem. Tudo bem que precisava subir uma ladeira e o albergue era no segundo piso e não tinha escadas, mas isso aí já to acostumado. Sou eu mesmo que tem que ficar levando malas escada acima, escada abaixo. O quarto parecia coisa de luxo. Com móveis do tempo de nossos bisavós e até tv LCD e máquina de fazer chá ou café disponível. Nem parecia albergue. Depois de uns 40 minutos do dono do albergue me explicar todos os principais pontos turísticos da cidade (com a ajuda de um mapa que ele deixou todo rabiscado) e o que tinha de interessante na cidade (wikipedia pra quê?), resolvemos dar a primeira volta na cidade, reconhecer os arredores e ver no que vai dar.

31 de outubro de 2011

Último período em Veneza...28/10/11

...ou como resolver tudo na última hora.

Após o almoço, com a barriga realmente pesando, fomos andar até a praça de San Marco (vaporetto pra quê? Desgastar o almoço era preciso!) com o intuito de ver o movimento. Eu queria ver também se conseguia comprar alguma camiseta de lembrança, já que não tinha comprado nada de Veneza (na útlima vez, havia sido um boné. Agora uma camiseta seria mais bem aproveitada). Chegando lá, vimos a praça bem mais seca e bem mais cheia de turistas! Lógico que a maior concentração era para a basílica, mas uma enorme multidão estava concentrada na passagem para a área de frente para o mar.

Muitas barracas estavam por ali, mas nenhuma delas tinha a camiseta que eu queria. Eu tinha visto umas legais no dia anterior, mas (obviamente) havia deixado quieto pensando que mais tarde ainda se acharia. Lógico que os vendedores não eram os mesmos que eu avia visto antes. Interessante no dia anterior era que ficou parecendo que os vendendores possuem uma espécie de rodizio de vendas. Chega numa determinada hora, todos fecham as barraquinhas e vão embora. E vão embora mesmo. Não adiante chegar com dinheiro na mão e apontando o produto, o vendedor não vende e ainda manda você embora. Talvez a camiseta que eu queria devia ser do vendedor da manhã. Como na manhã seguinte não haveria tempo para compras, era uma vez uma camiseta.

Mesmo procurando pelo calçadão beira-mar, nenhuma barraca parecia colaborar comigo. Muitos agasalhos que nem me interessavam e só pesaria mais ainda na minha mochila. Nada de interessante só me restava me conformar e terminar o dia. Pegamos um vaporetto por ali mesmo e fomos até a parada mais próxia do albergue, mas antes resolvemos ir até o mercado, garantir algo para comer durante a noite e a refeição que seria feita na viagem do dia seguinte até Genova.

Já de volta ao quarto, inconformado com minha derrota, resolvi dar mais uma chance e fui à caça. Saindo nem querendo me guiar por mapas, determinado a comprar algo para lembrar de Veneza, me perdi umas 2 vezes pelo caminho até conseguir chegar na ponte Rialto. Lá, consegui observar algumas barracas com camisetas, mas ainda achava que poderia encontrar algo mais legal na praça de San Marco. Como a distância não era pouca e parecia que os vendedores do Rialto estavam se preparando para fechar as barracas, resolvi apertar o passo e arriscar...

...e bater com a cara na porta.

Ao chegar na praça, todos os vendedores já estavam arrastando suas respectivas barracas para sabe-se lá onde, terminando seus negócios. Batendo um certo nervosismo, tive que voltar todo o caminho até o Rialto. Óbvio que praticamente todas as barracas estavam já fechadas. Apenas uma aberta e nem parecia que tava com vontade de fechar. O bom era que tinha camisetas que me interessavam. O ruim era que não eram as que eu tinha visto no dia anterior. Mas, como o culpado era eu mesmo, tive que me contentar com essas. Duas camisetas legais, mostrando os típicos desenhos de Leonardo da Vinci.

Ok. Meio clichê, mas é meu xará. Não podia deixar de lado a oportunidade.

Volti com a sensação de dever cumprido e me preparando para o dia seguinte, quando começaria mais uma viagem para a nossa próxima etapa.

Genova!

Comida e enchentes...28/10/11

...ou como certas coisas são realmente parecidas com o Brasil.

O restaurante self-service era simples, porém amplo. Duas salas com mesas e um razoavel buffet com saladas e pratos quentes. Eram poucas opções de quentes. Três tipos de macarrão (molhos diferentes), uma carne refogada, risoto, verduras e sopa. Salada tinha uma variedade um pouco maior. Para beber, ou era cerveja, vinho ou água. Como ainda queriamos andar, preferimos água. E não é que a comida era muito boa? O prato era pequeno (por que será?) e acabei indo várias vezes encher ele que cismava de ficar vazio rapidamnte. O macarrão era um pouco mais duro que estavamos acostumados fazer no Brasil, mas o molho e o resto compensava. Além do mais, como era para comer o quanto conseguisse, estava em casa (apesar de ter sido com considerável moderação)

Uma coisa que nos chamou a atenção foi o noticiário que mostrava a situação na Ligúria, região oeste do norte da Itália. Fortes chuvas haviam provocado enchentes relâmpago na região, causando bastante destruição. Imagens mostravam os estragos em ruas, estradas e casas. Muita gente perdendo a moradia e a conta do prejuízo só aumentando. O preocupante era que a nossa próxima etapa era justamente na Liguria. Precisaria mais tarde consultar os noticiários para saber em que ponto era menos seguro para se visitar. Outro ponto era que esse acontecimento era bem semelhante com o ocorrido em Petrópolis e Teresópolis no estado do Rio, com as chuvas. O mesmo tipo de acontecimento com as mesmas consequências. Para se mostrar que tragédia poderia ocorrer em qualquer lugar.

Segundo dia em Veneza...28/10/11

...ou como certas coisas são parecidas com o Brasil.

Nem precisa dizer que horas acordamos. Ficou automático acordar por volta do mesmo horário. O café da manhã foi igualmente aproveitado e no meio recebemos instrução para quando voltassemos no começo da tarde mudar de quarto, pois o casal que estava no quarto privativo iria sair. Deixamos tudo arrumado e fomos para mais um passeio pelos canais.

Como ainda estávamos com o cartão do vaporetto e ele era válido por 24 horas (não que eles realmente iriam verificar todo mundo, mas vai saber) fomos até a estação de trem comprar os bilhetes para nossa próxima etapa e pegar o vaporetto em direção à Igreja de Nossa Senhora da Saúde (se não conseguir da primeira vez, tente de novo!). Pelo menos pelo horario, tinha certeza de pegar a igreja aberta. De fato estava e adentramos pela pequena porta aberta, tendo que nos deviar de uma senhora pedindo esmolas que fazia questão de seguir os turistas até o interior, achando que algum iria mudar de idéia depois de 5 minutos.

Descobri que estava confundindo o interior da igreja com outra que até agora não me lembro qual era. Mas logo lembrei do esquema dessa igreja. Ela simplesmente não tem o formato tradicional de um imenso corredor com o altar ao fundo. É simplesmente um imenso círculo e uma entrada num ponto mostrava o altar. Um imenso lustre ficava no meio desse círculo, qu estava isolado por cordas. Essa igreja não é grande, mas é bem alta. Aproveitando que a senhora das esmolas havia se afastado da porta seguindo outros turistas, saimos da igreja e fomos de volta ao albergue, mas antes passariamos em outra parte da cidade (pelo menos aproveitando o vaporetto deixando tudo mais perto) para comprar uns presentes que minha mãe queria comprar e comer um pedaço de torta que ela havia visto no dia anterior.

Essa torta fica em uma espécie de lanchonete que servia várias bebidas de café (curiosamente não lembro de ter visto uma Starbucks por aqui, mas essa lanchonete prometia várias combinações) e até que tinha uma cara boa. Mas não era lá grandes coisas não. Eu comi uma de limão que, apesar de ter gosto mesmo no creme que era o recheio, estava seca e minha mãe pegou uma torta de queijo com passas (inicialmente minha interpretação do italiano considerou ser uvas e não passas).

Tortas degustadas, presentes e coisinhas no caminho compradas, retornando ao albergue. Na última rua antes de chegarmos ao canal que cruzavamos para o albergue, avistamos um restaurante com um anúncio inusitado: "Self-Service. Eat what you can". hmmm... restaurate self-service com comida a vontade? Primeira vez que via isso por aqui. Normalmente tem no Brasil, mas aqui seria bem interessante. Marcamos o local e resolvemos voltar mais tarde para o almoço.

Chegando no albergue, realizamos nossa singela mudança de quarto. Confesso que estava preferindo o maior, com várias camas. Aquele quarto, apesar de ter dois aposentos mais o banheiro (com box que não molha o chão), era um pouco mais apertado. Mas depois vimos que já havia reserva para o quarto comunitário, então que seja. Mudança feita, almoço!

Interlúdio em Veneza...27/10/11

...ou como ser arrastado para certos eventos.

Já estava me esquecendo de um detalhe que ocorreu na noite em Veneza. Nada a ver com a cidade, mas relacionado com a nossa futura estada em Roma.

Não lembro agora, mas acho que foi em Lisboa que eu fiz um pedido em nome da minha mãe (ela estava ciente disso) para receber convites para assistir a missa papal na praça de São Pedro.Preciso dizer que o principal motivo para a minha mãe ter vindo para a Europa e querido ir até a Itália, era para ver o papa. Ela também quer tirar uma foto com ele, mas isso é uma outra história. Mas eu enviei o pedido e fui informado que talvez nem recebesse uma confirmação se foi ou não foi atendido o pedido, devido ao alto número de pedidos que chegam. Ou seja, talvez descobririamos na véspera da missa.

Pois é. E não é que eles mandaram um mail respondendo? E dizendo que ela havia conseguido os 2 convites solicitados? Doi convites. Ou seja, terei que ir junto. Não era muito minha idéia de passear pelo Vaticano e assistir uma missa papal (to nem aí com frase "se está na Itália, tem que ver o papa"), mas não terei jeito, pois minha mãe mal sabe inglês, quanto mais tentar deduzir o que os italianos falam. Isso porque o papa deve falar tudo em latim. Mas até aí, não tem problema. Não devo estar prestando atenção mesmo...

...lugar reservado lá no inferno já devo ter.

30 de outubro de 2011

Um dia em Veneza...27/10/11

...ou Londres é aqui.

Acordamos relativamente cedo por aqui. Aliás, normalmente estamos acordando por volta das 8 da manhã todos os dias. Nos aprontamos no imenso banheiro destinado para 4 pessoas (duas pias, mas só um vaso e um chuveiro, que está em uma banheira e tem apenas uma porta suspensa que cobre apenas um pedaço e não impede que se molhe o chão) e fomos para o café da manhã na sala comum.

Uma coisa que preciso notar é que estamos tendo sorte com café da manhã. Tirando Paris, todos os outros lugares em que nos hospedamos tinha café incluso. E não era um mero café de café e torradinha. Com suco, leite, café, cereal, pão, geleia, manteiga frutas... Nesse de Veneza tinha um suco de tudo e mais um pouco (lembro apenas de abacaxi, laranja e cenoura, mas tinha mais coisa junta segundo a embalagem), torradeira para torrar pães, frutas (caso achasse que o suco tinha poucas), cream cheese, 4 tipos de geléia, mel, nutella (!!) e ainda uma espécie de croissant (não era folheado como um croissant conhecido) recheado com uma pasta de laranja. A moça do albergue (acho que o nome era Meg) ia lá todos os dias preparar tudo e depois ia embora. A única coisa que ela pedia, e estava escrito, era que cada um precisava lavar sua própria louça. Nada mais justo.

Terminamos o café da manhã e resolvemos visitar a cidade. Nada mudou muito desde a última vez que estive aqui. A principal diferença era que ao invés do calor de Julho, estava fazendo um considerável frio de Outono. Pela janela do quarto, podia-se não ver a cidade, pois uma imensa neblina bloqueava qualquer prédio além do segundo canal de distância (ja que a cidade tem monte de canais cruzando os "quarteirões", nada mais sensato que medir em canais de distância). Felizmente, era só a neblina que tinhamos que lidar, pois alguns dias antes soubemos que havia chovido bastante pelo norte da Itália.

Graças ao meu antigo mapa de Veneza da última viagem (não que adiante muito, pois a maioria dos mapas não tem todas as ruas com nome impresso), fomos nos perdendo pelas alamedas e vielas, para conhecer algumas igrejas pelo caminho até a ponte Rialto. Como estavamos próximos da ferroviária, o caminho atpe o Rialto demoraria mais. Lógico que paramos diversas vezes para ver vitrines com artigos locais (uma grande diferença entre viajar sozinho e com uma pessoa do sexo feminino é que se para mais vezes para ver de tudo). Mas foi só ao chegar em Rialto que minha mãe pode ter noção do que realmente se tratava Veneza. Ela ficou extremamente perplexa com o movimento de barcos, inclusive com os pequenos engraffamentos que existiam com os barcos de serviço da cidade, o vaporetto, os taxis e as gondolas para turistas mais ricos.

Antes de cruzar a ponte, passamos um tempo contemplando as diversas barracas da feira municipal, com seus diversos artigos variando entre frutas, verduras, temperos e outros tantos mais. Também existiam várias barracas vendendo camisetas e artigos de vestuário ou lembrancinhas da cidade. Mas evitamos tudo isso e prosseguimos até chegar na praça de São Marco...

...alagada e com vários tablados elevados para passagem das pessoas. Na última vez que estive por aqui, eu vi os efeitos da maré alta, mas só havia enchido um pequeno pedaço da praça. Agora, toda a parte em frente à Basílica de São Marco e o campanário estava alagada. Era pouco, mas o suficiente para se encharcar o tênis se pisasse nas poças. Resolvemos pegar o caminho elevado até a entrada da Basílica primeiro. Eu já sabia que não seria permitido fotos no interior e vi que o balcão superior estava em reformas e como minha mãe não estava fazendo questão nenhuma de pagar muita coisa, ficariamos na parte de baixo mesmo.

A primeira coisa estranha que reparei dentro da igreja foi que havia algumas pessoas tirando fotos, mesmo com os avisos na entrada! Por precaução, ainda mais que se via funcionários olhando ao redor, retirei a tampa da minha máquina e saí tirando fotos torcendo para que estivesse no ângulo certo. Perto da saída, nem me importei e saí tirando fotos com a câmera no rosto mesmo. Até minha mãe tirou fotos com flash! Realmente algumas coisas mudaram. Se é de fato ou simplesmente estavam de saco cheio naquele dia, não sei, mas aproveitei um pouco. A basílica é bem pequena se comparada com a de São Pedro no Vaticano, mas o interior cheio de desenhos contornados por muito dourado do ouro fazem dessa basílica um lugar bem bonito.

Saindo da basílica, fomos até a calçada de frente para o mar Adriático. Do outro lado do canal, via-se a ilha de Giudecca, que mais uma vez não consegui ir, com a imensa igreja de San Giorgio Maggiore se sobressaindo. Tentei me lembrar de que ângulo havia tirado uma bonita foto em 2009, para tirar outra e comparar, mas não consegui. Além do mais, o céu meio encoberto nao deixava uma aparência boa. Seguimos mais adiante e eu esperando que, ao contrário de 2009 quando as laterais dos palácios de Ducalle e o outro ao lado estavam tapados para reforma, deixando a Ponte dos Suspiros minguada, a ponte estaria agora livre de reformas...

...coberta por andaimes.

Ok, tudo bem. A ponte não tem nada de mais. A Rialto é mais bonita. A Ponte Vecchio em Florença é mais charmosa, mas a Ponte dos Suspiros seria um marco para a cidade. Algo que se identifica claramente quando se fala de Veneza. Mais uma vez, ela estava coberta e impossibilitada de mostrar sua simplicidade (ela é curta, uns 4 metros, talvez, e devia ter no máximo uns 2 metros de altura) e simbologia. Tivemos que nos contentar com a ponte atrás de barras de metal e um operário mexendo nela.

Fomos até mais distante que eu já havia percorrido e resolvemos voltar. Numa das pontes da avenida que costeia o mar, resolvemos parar para apreciar a passagem de um cruzeiro de luxo que estava na região. Dois rebocadores tratavam de guiar o imenso navio pela estreita passagem entre Veneza e Giudecca. Não sabia que um barco daquele tamanho poderia passar por alí. Foi engraçado ver monte de turistas no barco tirando fotos da cidade e monte de turistas na cidade tirando fotos do barco passando. Depois as fotos vão mostrar locais com um monte de gente com câmeras na frente do rosto.

A fome começava a apertar. Resolvemos parar em uma da incontáveis lanchonetes e experimentamos o chamado pizzoto, que seria uma massa de pizza um pouco mais grossa que as finas já típicas, com recheio e enroladas sobre si mesmas, parecendo um imenso enrolado de pizza. Bom, principalmente se tratando dos ingredientes que tinham muito mais sabor por aqui (se um dia vierem para a Itália, perceberão que os cogumelos tem mais gosto). Voltamos para o albergue para deixar coisas e nos recuperar e saímos novamente para caminhar.

Confesso que devo ter exigido um pouco demais de minha mãe. Se conseguirem ver o mapa, verão que o caminho foi longo. Saímos no meio da tarde e levei ela para conhecer a Pizzale Roma, onde se pode encontrar um terminal de ônibus que vai para diversas partes de Veneza Mestre e outros lugares. De lá, seguimos caminhando por vielas, passamos pela Igreja de San Barnabas (Indiana Jones, alguém?) e fomos seguindo até chegar na igreja de Nossa Senhora da Saúde!

Fechada fazia 10 minutos.

Ok. Erro de planejamento. E minha mãe com uma cara que não tava mais a fim de andar mais. Tinha um ponto de vaporetto próximo, mas nada de bilheteria. Ficamos no impasse de pegar ou não o vaporetto sem um bilhete e saltar na estação seguinte de San Marco, mas resolvemos retornar a pé. Pelo menos, ao chegar na Academia, não muito longe dali, a estação já possuia bilheteria e pudemos comprar nossos bilhetes e seguir de forma honesta pelo Grande Canal. Pelo menos fizemos um passeio de barco. Na volta, resolvemos saltar em Rialto e retornar até a praça de San Marco para ver o movimento noturno e os restaurantes chiques com suas bandas de músicos se alternando. A praça já estava bem seca e cheia de gente. Voltamos pelo caminho mais rápido até o albergue e pegamos mais uma pizza para a noite. Só espero não enjoar de tanta pizza.