E chega o dia de visitar o Vaticano e cumprir a célebre frase de "Visitar Roma e ver o Papa". Acordamos cedo e depois de um rápido café da manhã, fomos até a estação de metro da ferroviaria, pois era a mais perto do hotel. Lá, tivemos uma não agradável surpresa. Estava totalmente lotada de gente. Em parte, até entendemos pelo fato de ser bem de manhã e deveria ser todo o movimento de ida ao trabalho, mas um desvio dentro da própria estação, fazendo a gente ir pela plataforma da linha B até chegar na plataforma da linha A, mostrava que algo não estava direito. No alto de uma das várias escadarias que dariam na plataforma, vimos o mar de pessoas parado lá embaixo. Sem chance de descer e enfrentar essa turba.
O jeito foi voltar e ir até a estação seguinte, Repulica, na esperança de estar mais tranquilo. A estação estava sem dúvida vazia, mas os trens estavam vindo com todo o fluxo de gente da estação Termini. Tivemos que esperar pelo trem seguinte para conseguir nos espremer. O bom era que logo nas estações seguintes o pessoal já foi saindo e ao chegar na estação Otaviano, a mais perto da praça de São Pedro, estava bem mais fácil de sair.
Chegar até o Vaticano nem foi difícil assim. Ao chegar lá pouco depois das 8 da manhã, já tinha um bocado de gente na fila para entrar na área da praça. A parte que costuma ser para os turistas estava fechada e aos pés da escadaria que leva até a basílica, várias áreas com cadeiras estavam divididas para receber as pessoas. Uma passagem rápida por detectores de metal e conseguimos chegar até a área para os que tinham convite simples (verde). Conseguimos um lugar um pouco para o lado mas pelo menos na 3a fileira. Na frente, só um grupo dos EUA mais animados que crianças indo ao circo e alguns franceses que achavam estar em casa. Na fileira de trás, uma senhoras e garotas das Filipinas que riam com qualquer coisa.
O evento só começaria as 10:30, portanto teriamos cerca de 2 horas de espera, mas mesmo assim ficamos sentados esperando. Não sabia o que incomodava mais, o sol que começava a esquentar bastante (o tempo mudou e nem um vestígio de chuva no horizonte) ou o povo que ficava em volta parecendo que era um show qualquer e não um encontro com o papa. Pior eram alguns que resolviam fumar por ali. Apesar de ser uma ampla praça, era proibido fumar e tinha uma grande concentração de pessoas em volta, incrível alguém ter pouca consideração com o resto.
Para variar, chegou 10:30 e nada do evento começar. Começou atrasado uns 15 minutos.Mas até lá, toda vez que um grupo que havia vindo para ver o papa começava a gritar, todo mundo se levantava e olhava ao redor. Isso acontecendo desde as 9 da manhã! Sério, como é que o pessoa, mesmo estando com um convite dizendo que só ia começar as 10:30, começa a ficar agitado com qualquer comoção as 9?
Mas finalmente chega o momento de começar. De início, achava que o Papa iria ficar naquela sacada que sempre mostra ele discursando, mas um palco montado no alto das escadarias, com uma cadeira ali demonstrava que ia ser diferente. O papa chega de papa-móvel, com dezenas de seguranças ao redor, acenando para todo mundo ao redor. O carro ficou passando entre os grupos de cadeiras, permitindo que todos pudessem vê-lo. Depois de dar a volta em todo o espaço, o carro sobe pelas escadarias (no meio tem uma parte que é preenchida com concreto, acho, fazendo uma rampa para o carro subir) dando a volta pelo palco montado e parando atrás. O papa sai do carro, vai até diante da cadeira, cumprimenta a todos e se senta. Começa o evento de fato.
Uma coisa que muita gente acha é que esses eventos de quarta de manhã é uma missa feita pelo Papa. Na verdade o nome é Audiência Geral e é apenasuma audiência queo Papa fala um monte de coisas, passa mensagens, suas conderações e depois abençoa todo mundo e vai embora. Tudo em uma hora e meia. No começo, ele entoa uma benção (em italiano) e logo em seguida, diversos representantes (possivelmente bispos) de várias línguas vão até o microfone próximo e falam alguma coisa. Não sei se é o mesmo padrão nas outras audiências, mas eles recitaram um salmo, o 118 (pelo que entendi, nas línguas latinas, é o 119, mas sou leigo na bíblia, portanto...). O salmo foi recitado em Italiano, Francês, Inglês, Alemão, Espanhol, Português (de Portugal) e uma outra língua que acho ser hungaro (mero chute pelo simples fato da língua não ter nenhuma palavra parecida com nenhuma outra que já escutei, qualidade única do hungaro). Logo após os salmos nas línguas, o papa fez o seu sermão em italiano.
Em seguida, cada um dos representantes, veio até o microfone e apresentou os grupos que vieram até o Vaticano. A cada menção, um grupo emalgum lugar gritava, como se fosse um programa do Silvio Santos anunciando as caravanas. Os filipinos da fileira de trás da nossa entraram no grupo que falava inglês (não me pergunte, não sei). Dos representantes da língua portuguesa, além de pessoas e famílias que vieram por conta própria (nós), apresentou o grupo da Nossa Senhora da Glória (conheço alguém que mora por perto) e mais ninguém. Só esse grupo mesmo e tinha que ser do Rio (durante a espera pelo começo da audiência, o grupo se levantou e começou a cantar "Cidade Maravilhosa"). Após cada um dos representantes falar sobre os grupos dos países e dizer que no final o Papa ia entoar o Pai Nosso em latim e abençoar a todos, o papa pegava uma folha de papel e dizia (em cada respectiva língua) o que ele considerava sobre o salmo, o que ele esperava dos fiéis e quais os tipos de conduta que deveriam ser feitos.
A última língua a ser representada foi o italiano, talvez pelo fato que a explicação do salmo em italiano fora a primeira, e ele deu recados principalmente para o pessoal das regiões afetadas pelas chuvas e enchentes no norte da Itália.
Terminada a sessão de salmos e explicações, o papa se levanta e começar a cantar o Pai Nosso em latim (letra no verso do convite) e dá uma última benção a todos. Os convidados de honra, os arcebispos e bispos fazem uma fila para apertar a mão dele e receber (talvez) uma benção exclusiva e após tudo isso, o papa volta ao seu carro que desce pela rampa, passa apenas em frente aos grupos de cadeira e sai pela lateral, deixando a praça de São Pedro (nessa hora, muita gente já tinha ido embora, que nem quando saem no final do filme e não esperam pelas cenas pós-créditos).
Já que não tinha mais papa para ver, resolvemos acompanhar o resto do povo para sair da praça. Dava-se para ver nesse momento o quanto de gente que tinha ido para lá. Nem chuto quantas pessoas tinham ali, mas era bastante. Bastante também era a quantidade de pessoas que estavam fora da praça, esperando os portões abrirem (ok, não eram portões, mas sim cancelas de madeira para isolar a área) para poderem entrar na praça de São Pedro. A fila para entrar na basílica, que estava fechada desde de manhã e só abriria um tempo depois da audiência, já estava dobrando a praça. Como era muita gente, já passava do meio-dia e a fome estava apertando pelo fato de termos tomado café da manhã bem cedo, resolvemos retornar para o centro de Roma e almoçar. Nem pensamos em visitar a basílica. Deixariamos o Vaticano para retornar no dia seguinte com mais calma. E assim termina mais uma vistia minha ao Vaticano (primeira de minha mãe) e finalmente vimos o papa (apesar de não ter ficado nem um pouco empolgado com isso).
E não. Minha mãe não tirou foto com o papa, conforme ela disse que faria.
(e disse que foi culpa minha, que eu que não quis)
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