...ou Colombo nasceu aqui.
Se lembra que eu disse que estavamos tendo sorte com o café da manhã dos albergues? Aqui também foi assim. Existe um casal que cuida do albergue. Paula e Francesco. Ficamos com a opinião que Francesco cuida única e exclusivamente de receber os hóspedes. Paula que realmente toma conta de tudo. Ela que que recebe o pagamento e faz os recibos, limpa o albergue, arruma as camas dos quartos, limpa o banheiro e faz o café da manhã. Quando chegamos na sala, ela nos recebeu com um sorriso e pergunto o que queriamos: café, chá, leite, capuccino ou chocolate quente. Enquanto minha mãe ficava com o hábito do café, resolvo ficar no capuccino. Como opções, ainda tinha cereais, bolos, pão com uma torradeira, cream cheese, manteiga, geleia, iogurte, suco de laranja, biscoitos amanteigados, queijo e um tipo de presunto que parecia o presunto parma. Aparentemente os italianos devem comer bastante durante o café da manhã (ou pelo menos a Paula achava). Um outro casal e um senhor estavam no albergue e compartilharam a mesa. Como nem eu nem minha mãe falamos italiano, ficamos boiando.
Saindo do albergue e recebendo um clima frio de Outono, descemos o morro e fomos direto para a praça Colombo (aquela cheia de gente da noite anterior) e seguimos até chegar na XX de Settembre. Agora com a luz do dia, ficava mais fácil admirar os imensos arcos que cobriam as lojas de ambos os lados. Uma coisa que precisa ser comentado é que os prédios são antigos e praticamente todos com a mesma altura (altos, tipo 5 a 7 andares). Segundo Francesco, muitos prédios variavam entre os séculos XI e XVIII ! Com certeza os mais antigos devem ter recebido uma renovação na fachada, pois estavam todos pintados, bonitinhos, parecendo ter apenas 30 anos. Outra coisa a se notar era que os prédios construídos nas transversais das principais avenidas eram muito juntos um dos outros. As vielas eram tão estreitas quanto em Veneza e as ruas que seriam um pouco maiores eram que nem as ruas de Praga. Nos desviando um pouco do caminho, antes de chegar na Piazza Ferrari e seu imenso chafariz, viramos na Via Dante e fomos até o que seria uma das grandes portas que existiam na antiga Genova.
Pelo que li, Genova possuia mais de 1500 muralhas para dividir e proteger a cidade de ataques de invasores. Em muitos pontos, imensas portas ladeadas por altas torres permitiam o acesso a diversas partes da cidade. Estavamos diante de uma dela. É interessante notar que até as muralhas eram altas. Tipo, 50 metros de altura. Realmente eles deveriam ter problemas cominvasões na época. Antes de chegar na porta de fato, uma construção nos chamou a atenção. Era um espaço aberto onde uma construção com pilares baixos delineavam um local que, segundo mapas e guias turísticos, seria onde Cristovão Colombo teria nascido e crescido. Dizem as lendas que ele era genoves e havia nascido ali e só quando adulto resolvido ir para Portugal. Lógico que a casa não está mais lá, mas monte de lugar turistico pela Europa só tem uma placa indicando algo importante.
Passando pela Porta, seguimos morro abaixo (as portas ficam no plano mais alto daquele morro onde fica a XX de Settembre) na Via San Lorenzo. Essa via seria uma passagem principal pelo centro histórico de Genova, ligando a praça Ferrari com o porto. Também nessa via se encontrava o que seria a catedral metropolitana de Genova. Resolvemos parar por ali e entrar para conhecer. Já imaginando regras contra fotos, guardei a máquina, mas logo percebi que tinham turistas tirando fotos. E a igreja não era paga pra entrar! Aliás, o que mais vi foi igrejas e locais turísticos gratuitos e sem problemas com fotos, desde que tiradas sem flash.
Seguindo o caminho do porto, encontramos o equivalente a Praça XV no Rio de Janeiro. Um imenso calçadão com acesso restrito a carros e um elevado passando por cima como rota do trânsito. Muita gente estava passeando por ali e aproveitando o domingo. Logo vimos um dos pontos turísticos bastante procurado da área do porto de Genova. O aquário de Genova. Uma enorme fila de pessoas desestimulava o passeio, ainda mais que se observava que eram entradas em horários programados. Teriamos que deixar para depois. Continuando o caminho do porto, vemos três coisas de destaque: pessoas andando no sentido contrário, muitos estabelecimentos com temas marítimos e inúmeros vendedores africanos vendendo bolsas, camisas, agasalhos e brinquedos (muito provavelmente falsificados). Pelo menos não eram do tipo que ficavam tentando chamar a atenção. A menos que você resolvesse parar para ver algum produto.
E eis que chegamos até o segundo ponto mais procurado no porto de Genova. O Museo del Mare. Um imenso prédio de 3 andares (4 se considerar o terraço) com temas cobrindo a história marítima de Genova. Como o preço estava mais em conta e a fila pequena, eis que encontramos nosso primeiro programa de fato na cidade.
O prédio começa com a história de Genova desde o século XV, mostrando como era o porto e as obras que continuamente eram realizadas para melhorar um ou outro aspecto. Impressionante os feitos de arquitetura e planejamento para montar uma imensa estrutura como aquela suficiente para suportar navios de qualquer tamanho e finalidade. Seguindo o curso, tinhamos uma sala dedicada ao Colombo, inclusive mostrando certos documentos de autoria do mesmo, que indicavam que ele de fato seria de Genova (existem controvérsias, mas como estamos em Genova, vamos acreditar e concordar). Várias maquetes mostrando os barcos da época e alguns paineis falando sobre algum tópico específico (estavam em italiano, mas era possível entender o sentido geral).
Após a parte dos séculos XV e XVI, segue-se a época dos barcos a vela. Muitas maquetes, instrumentos antigos e pinturas retratando tudo. Próximo ponto e andar, barcos movidos a vapor. Tudo razoavelmente coberto com textos, mapas, maquetes e tudo o mais. Mas o mais interessante foi o 3o andar.
Uma mostra interativa de como era a época da imigração italiana para outros países, principalmente as Américas. Recebiamos uma réplica de um certificado de embarque e um passaporte (nomes tudo iguais, mas um adesivo com código de barras mostrava a diferença entre eles). Logo no começo, um painel com uma TV simulava um guichê para embarque no navio. Passando o código de barras do passaporte, um funcionário (através de um filme gravado) contava quem você era, o que fazia e para onde ia. Outros detalhes eram revelados. Lógico que tudo foi em italiano, mas consegui pegar um ou outro detalhe. O problema era que precisava saber o meu e o da minha mãe.
Logo depois do "check-in", entravamos em salas simulando o interior do barco usado para as viagens. Tudo bem apertado e vários painéis indicando os problemas que os imigrantes passavam para chegar ao seu destino. Passeio interessante, especialmente para se ter uma idéia de conforto (sua ausência, claro), higiene, comida e saúde. Ao final do passeio, existia um outro guichê simulando a imigração nos EUA. Precisavamos passar o passaporte e responder uma série de perguntas feitas pelo fiscal e dependendo das respostas, seriamos aceitos ou não no país. Lembra do primeiro guichê com as informações pessoais? Pois é. Eu ia ter que responder tanto para mim quanto para minha mãe. Eu não sei se era algo do tipo "sabemos sua história, se responder errado mandamos você de volta", mas consegui responder direito para eu ser aceito (era um comerciante com negócios nas américas). Entretanto não consegui manipular as respostas para minha mãe ser aceita (a explicação da vida dela era bem vaga) e ela teve que voltar (freedom!). Uma outra parte do andar mostrava o funcionamento e a vida dentro de um submarino, mas todos os vídeos em italiano não ajudavam muito. No final, existia até uma prova de múltipla escolha para ganhar um certificado. Consegui ganhar facilmente para a minha mãe, mas na minha hora, sem querer vieram as perguntas em italiano. Meu chutômetro foi ótimo. Saímos do museu com certificados de marinheiros de submarinos e uma perspectiva melhor (ou não) de vida nas Américas.
Saindo de lá, almoço, pois já estava ficando tarde.
2 de novembro de 2011
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