...ou como brincar com arraias.
Saí decidido a visitar o aquário de Genova. Ok, era carinho, mas diziam que era o mais moderno da Europa (como nunca visitei nenhum outro aquário na Europa nem em nenhum outro lugar, até segunda ordem acredito no que dizem) e passara 4 vezes por ali e tinha que visitar de qualquer jeito. Não sabendo o horário de fechamento, fui na sorte. Felizmente não tinha fila e ainda tinha muito tempo para visitar.
O prédio do aquário era extenso e vários andares, tipo do Museo del Mare, mas bem mais moderno. Existia um caminho a ser seguido e logo entrei em uma sala com uma imensa parede com um vidro reforçado, pedras possivelmente semelhantes a do porto e peixes meio que simples nadando por ali. Vários avisos diziam para não usar flash. Ou seja, fotos permitidas. Uma coisa é tirar fotos sem flash em museus. Você só precisa ficar bem parado e apertar o botão enquanto segura a respiração. Outra coisa é tirar fotos sem flash de bichos em movimento e com pouca iluminação. Muitas fotos borradas. Acho que esse lugar é realmente só para visitar e guardar na lembrança (óbvio que tinha turistas bestas tirando com flash, mas funcionários já chegavam junto e davam bronca além de um sistema de som falar em várias línguas para não usar flash. "No Flash, happy fish!")
Seguindo o caminho da exposição, um imenso tubo tanque vertical no meio de uma sala. Uma pilha de pedras no meio do tubo, peixes rodando por ali e vários buracos com moréias! Confesso que fiquei besta com o tamanho dos bichos e como eram feios. Toda hora me lembrava do verme que saía do asteróide em O Império Contra-Ataca. Engraçado que elas ficavam com parte do copor para fora, respirando abrindo e fechando a boca e quando queriam, saiam da toca para enfiar a cabeça e deixar o rabo para fora... sei lá.
Tanque seguinte... alguns peixes grandinhos (tinham placas em cima dos aquários com os nomes dos peixes, mas não dava pra decorar e muitas vezes era difícil associar a foto com o peixe) e dois peixe-boi nadando tranquilamente por entre pilares de pedra. Animais grandes esses e realmente parecem tão dóceis que é incompreensível que tem gente que mata esses bichos.
Próximo tanque. Tubarões. Assim como no anterior, só consegui tirar fotos decentes nos momentos que os animais estavam mais parados ou passando em pontos mais iluminados. Algumas espécies de tubarões estavam passeando por ali. Tinham outros peixes, mas não sei se eram colegas de tanque ou futuras refeições.
Next... golfinhos! Que não estavam por ali. Uma notificação na parede dizia que existiam 3 tanques por onde os golfinhos podiam transitar livremente, mas somente um era exposto ao público. O aquário não poderia fazer nada se os golfinhos não quisessem ir para justamente esse tanque. Ou seja, desculpa célebre da dor de cabeça. Tive que me contentar com uma foto clássica estilo flipper com cabeça pra fora da água.
Outro tanque que mereceu destaque foi dos pinguins. Uma área com algumas pedras e possivelmente ambiente resfriado e vários pinguíns de 3 espécies diferentes dividino o local, formando suas turmas. Um deles resolveu chegar perto e nadar para cima e para baixo seguindo um pai que mostrava o pinguim para a filha de cerca de 2 anos (o que mais irritava era que ele ficava batendo no viro com o dedo com anel, dando gritinhos bestas e agitando tanto o pinguim quanto a filha que dava berros e batendo nas proteções de metal). Como não tinha muito mais o que fazer com os pinguins sem eles quererem, continuei o percurso.
Muitos outros tanques se seguiram. Mostravam fauna e flora dos mares de diversas partes do mundo (não eram muitos tipos diferentes de ecossistema, mas juntavam vários tipos de peixes num mesmo lugar). Tirei várias fotos meio escuras e borradas. Depois veria se dava para aproveitar algo. Num andar inferior, tinha uma exposição de florestas tropicais e uma parte com tanques mais baixos e a parte de cima exposta para o público. Finalmente cheguei no ponto máximo daquele trecho.
Um imenso tanque raso tinha várias arraias de pelo menos 2 espécies que ficavam "planando" pelo fundo. Uma placa dizia que era possível acariciar os animais desde que fosse de forma gentil (o que todos faziam) e que não tocassem nos olhos e guelras dos mesmos (Era um pouco difícil as vezes ver os olhos, pois eram da mesma coloração da pele, mas as guelras eram evidentes). Outro ponto dizia que não era para retirar os animais da água pela cauda.
Espere um pouco. Não era permitido retirar os animais pela cauda??? Quer dizer que eu poderia retirar de outra forma, tipo segurando pelas nadadeiras?!?! Li o aviso em inglês e comparando com o aviso em italiano, não parecia ser um erro de tradução. Ainda bem que o pessoal levou na interpretação de não poder tirar os animais da água. Sorte das arraias.
Mas o mais engraçado era que algumas arraias simplesmente nadavam em sua direção caso você ficasse batendo levemente na água. Elas até colocavam a parte da frente do corpo para fora dágua, como se estivesse se mostrando. Lógico que se afastavam quando chegavam perto, mas se medisse bem o tempo, era possível estender a mão por dentro da água e passar os dedos pela superfície do animal. Parecia um couro diferente. Bem liso nas extremidades, mas bem áspero perto do centro. Parecia aquelas paredes com textura rugosa, só que um pouco mais macia. Uma arraia maior e mais escura ficava no fundo e mal se mexia. No final do meu período por ali, essa chegou mais perto da beirada e ficou ali, parada. Fiquei um tempo colocando a mão na água e acariciando o bicho. Os olhos só se mexendo e as guelras abrindo e fechando. De resto, nem parecia se incomodar com os turistas metendo a mão. Não pude brincar com golfinhos, mas esse momento valeu pelo passeio.
Ali era praticamente o final do passeio. Ainda tinha uns poucos tanques com águas-vivas e outros peixes, mas com menos impacto do que no começo ou com as arraias. Lógico que tinha tanques com os famosos peixes-palhaço, mais conhecidos pelo Nemo do filme, mas até esses eram sem graça. Se esse era o mais moderno e um dos melhores aquários da Europa, nem quero ver o pior ou o menor. Mas deu para ficar um bom tempo ali e serviu como último passeio por Genova antes de seguir adiante na viagem pela Itália.
3 de novembro de 2011
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