Acordamos relativamente cedo por aqui. Aliás, normalmente estamos acordando por volta das 8 da manhã todos os dias. Nos aprontamos no imenso banheiro destinado para 4 pessoas (duas pias, mas só um vaso e um chuveiro, que está em uma banheira e tem apenas uma porta suspensa que cobre apenas um pedaço e não impede que se molhe o chão) e fomos para o café da manhã na sala comum.
Uma coisa que preciso notar é que estamos tendo sorte com café da manhã. Tirando Paris, todos os outros lugares em que nos hospedamos tinha café incluso. E não era um mero café de café e torradinha. Com suco, leite, café, cereal, pão, geleia, manteiga frutas... Nesse de Veneza tinha um suco de tudo e mais um pouco (lembro apenas de abacaxi, laranja e cenoura, mas tinha mais coisa junta segundo a embalagem), torradeira para torrar pães, frutas (caso achasse que o suco tinha poucas), cream cheese, 4 tipos de geléia, mel, nutella (!!) e ainda uma espécie de croissant (não era folheado como um croissant conhecido) recheado com uma pasta de laranja. A moça do albergue (acho que o nome era Meg) ia lá todos os dias preparar tudo e depois ia embora. A única coisa que ela pedia, e estava escrito, era que cada um precisava lavar sua própria louça. Nada mais justo.
Terminamos o café da manhã e resolvemos visitar a cidade. Nada mudou muito desde a última vez que estive aqui. A principal diferença era que ao invés do calor de Julho, estava fazendo um considerável frio de Outono. Pela janela do quarto, podia-se não ver a cidade, pois uma imensa neblina bloqueava qualquer prédio além do segundo canal de distância (ja que a cidade tem monte de canais cruzando os "quarteirões", nada mais sensato que medir em canais de distância). Felizmente, era só a neblina que tinhamos que lidar, pois alguns dias antes soubemos que havia chovido bastante pelo norte da Itália.
Graças ao meu antigo mapa de Veneza da última viagem (não que adiante muito, pois a maioria dos mapas não tem todas as ruas com nome impresso), fomos nos perdendo pelas alamedas e vielas, para conhecer algumas igrejas pelo caminho até a ponte Rialto. Como estavamos próximos da ferroviária, o caminho atpe o Rialto demoraria mais. Lógico que paramos diversas vezes para ver vitrines com artigos locais (uma grande diferença entre viajar sozinho e com uma pessoa do sexo feminino é que se para mais vezes para ver de tudo). Mas foi só ao chegar em Rialto que minha mãe pode ter noção do que realmente se tratava Veneza. Ela ficou extremamente perplexa com o movimento de barcos, inclusive com os pequenos engraffamentos que existiam com os barcos de serviço da cidade, o vaporetto, os taxis e as gondolas para turistas mais ricos.
Antes de cruzar a ponte, passamos um tempo contemplando as diversas barracas da feira municipal, com seus diversos artigos variando entre frutas, verduras, temperos e outros tantos mais. Também existiam várias barracas vendendo camisetas e artigos de vestuário ou lembrancinhas da cidade. Mas evitamos tudo isso e prosseguimos até chegar na praça de São Marco...
...alagada e com vários tablados elevados para passagem das pessoas. Na última vez que estive por aqui, eu vi os efeitos da maré alta, mas só havia enchido um pequeno pedaço da praça. Agora, toda a parte em frente à Basílica de São Marco e o campanário estava alagada. Era pouco, mas o suficiente para se encharcar o tênis se pisasse nas poças. Resolvemos pegar o caminho elevado até a entrada da Basílica primeiro. Eu já sabia que não seria permitido fotos no interior e vi que o balcão superior estava em reformas e como minha mãe não estava fazendo questão nenhuma de pagar muita coisa, ficariamos na parte de baixo mesmo.
A primeira coisa estranha que reparei dentro da igreja foi que havia algumas pessoas tirando fotos, mesmo com os avisos na entrada! Por precaução, ainda mais que se via funcionários olhando ao redor, retirei a tampa da minha máquina e saí tirando fotos torcendo para que estivesse no ângulo certo. Perto da saída, nem me importei e saí tirando fotos com a câmera no rosto mesmo. Até minha mãe tirou fotos com flash! Realmente algumas coisas mudaram. Se é de fato ou simplesmente estavam de saco cheio naquele dia, não sei, mas aproveitei um pouco. A basílica é bem pequena se comparada com a de São Pedro no Vaticano, mas o interior cheio de desenhos contornados por muito dourado do ouro fazem dessa basílica um lugar bem bonito.
Saindo da basílica, fomos até a calçada de frente para o mar Adriático. Do outro lado do canal, via-se a ilha de Giudecca, que mais uma vez não consegui ir, com a imensa igreja de San Giorgio Maggiore se sobressaindo. Tentei me lembrar de que ângulo havia tirado uma bonita foto em 2009, para tirar outra e comparar, mas não consegui. Além do mais, o céu meio encoberto nao deixava uma aparência boa. Seguimos mais adiante e eu esperando que, ao contrário de 2009 quando as laterais dos palácios de Ducalle e o outro ao lado estavam tapados para reforma, deixando a Ponte dos Suspiros minguada, a ponte estaria agora livre de reformas...
...coberta por andaimes.
Ok, tudo bem. A ponte não tem nada de mais. A Rialto é mais bonita. A Ponte Vecchio em Florença é mais charmosa, mas a Ponte dos Suspiros seria um marco para a cidade. Algo que se identifica claramente quando se fala de Veneza. Mais uma vez, ela estava coberta e impossibilitada de mostrar sua simplicidade (ela é curta, uns 4 metros, talvez, e devia ter no máximo uns 2 metros de altura) e simbologia. Tivemos que nos contentar com a ponte atrás de barras de metal e um operário mexendo nela.
Fomos até mais distante que eu já havia percorrido e resolvemos voltar. Numa das pontes da avenida que costeia o mar, resolvemos parar para apreciar a passagem de um cruzeiro de luxo que estava na região. Dois rebocadores tratavam de guiar o imenso navio pela estreita passagem entre Veneza e Giudecca. Não sabia que um barco daquele tamanho poderia passar por alí. Foi engraçado ver monte de turistas no barco tirando fotos da cidade e monte de turistas na cidade tirando fotos do barco passando. Depois as fotos vão mostrar locais com um monte de gente com câmeras na frente do rosto.
A fome começava a apertar. Resolvemos parar em uma da incontáveis lanchonetes e experimentamos o chamado pizzoto, que seria uma massa de pizza um pouco mais grossa que as finas já típicas, com recheio e enroladas sobre si mesmas, parecendo um imenso enrolado de pizza. Bom, principalmente se tratando dos ingredientes que tinham muito mais sabor por aqui (se um dia vierem para a Itália, perceberão que os cogumelos tem mais gosto). Voltamos para o albergue para deixar coisas e nos recuperar e saímos novamente para caminhar.
Confesso que devo ter exigido um pouco demais de minha mãe. Se conseguirem ver o mapa, verão que o caminho foi longo. Saímos no meio da tarde e levei ela para conhecer a Pizzale Roma, onde se pode encontrar um terminal de ônibus que vai para diversas partes de Veneza Mestre e outros lugares. De lá, seguimos caminhando por vielas, passamos pela Igreja de San Barnabas (Indiana Jones, alguém?) e fomos seguindo até chegar na igreja de Nossa Senhora da Saúde!
Fechada fazia 10 minutos.
Ok. Erro de planejamento. E minha mãe com uma cara que não tava mais a fim de andar mais. Tinha um ponto de vaporetto próximo, mas nada de bilheteria. Ficamos no impasse de pegar ou não o vaporetto sem um bilhete e saltar na estação seguinte de San Marco, mas resolvemos retornar a pé. Pelo menos, ao chegar na Academia, não muito longe dali, a estação já possuia bilheteria e pudemos comprar nossos bilhetes e seguir de forma honesta pelo Grande Canal. Pelo menos fizemos um passeio de barco. Na volta, resolvemos saltar em Rialto e retornar até a praça de San Marco para ver o movimento noturno e os restaurantes chiques com suas bandas de músicos se alternando. A praça já estava bem seca e cheia de gente. Voltamos pelo caminho mais rápido até o albergue e pegamos mais uma pizza para a noite. Só espero não enjoar de tanta pizza.
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