Tivemos que acordar cedo nesta quarta, por volta das 5 da manhã. Isso se fez necessário pois teriamos que ir até Gare de Lyon, que ficava distante do hotel e ainda teriamos que pegar 2 linhas de metro. Como não sabiamos como estaria o movimento de pessoas nos vagões, sair cedo foi a solução. Até que compensou. Viagem tranquila e vazia. Poucos passageiros enfrentando o frio e o sono para sair na rua.
Ficamos um pouco de tempo esperando na estação até chegar na hora de embarcar no trem. A parte onde estavam o nosso trem estava em obras, fazendo com que todos passassem por umas passagens estreitas dentre tapumes. Para melhorar, os nossos lugares do trem estavam ocupados por uma moça com 3 crianças pequenas, já se refastelando pelos lugares. Ainda bem que eu sabia um pouco de francês, pelo menos os números, para indicar que aqueles eram os nossos lugares. A mulher, inicialmente achando que estava certa, descobre no momento que estava no carro errado. Vai ela com 3 crianças pequenas arrastando até o vagão seguinte. E volta ela descobrindo que também não era o outro vagão que ela queria. Esperando ela voltar para terminar de pegar as bolsas, conseguimos finalmente sentar.
Algo conspirando contra nós para fazer sempre que sentemos nos lugares compartilhados, ou seja, de frente para outros dois assentos com uma mesa no meio. É um péssimo lugar, pois não dá pra esticar as pernas sem ficar esbarrando nos outros, no caso um casal de senhores italianos. Mas tivemos que nos conformar.
Tomando nosso café da manhã no trem, com sanduíches prontos e sucos, ficamos apreciando o amanhecer nas paisagens francesas. Muitos pastos, casinhas, bois e vacas, tudo de forma preguiçosa. Depois de quase duas horas, uma manutenção nos trilhos faz com que o trem fique parado um tempo. Isso preocupa, pois ele vai até Milão onde teriamos que sair do trem e em 15 minutos achar e entrar no próximo até Venezia. O tempo dá, mas dependendo desses atrasos, a coisa pode complicar.
Resolvo tirar o atraso do blog, escrevendo no notebook. Todos esses posts desde a visita da Torre Eiffel foram escritos no trem. Tempo bem aproveitado. É interessante ficar relembrando os fatos e locais escrevendo o que se lembra e o que pensa e olhando pela janela e vendo uma paisagem pictoresca do interior da França. Até começarem os túneis e vermos algumas montanhas ao longe. Montanhas com os cums cobertos de uma camada branca e fina de neve. Onde no Brasil consegue-se apreciar isso?
Cá estou eu, escrevendo, enquanto o trem parava em algumas cidades, e minha mãe me chama a atenção para o lado de fora, em uma cidade fronteira entre França e Itália. Eu resolvo olhar o que chamou tanta a atenção dela...
NEVE!!!!
NEEEEEVEEEEEE!!!!!!
Já falei que era NEVE???
Os trilhos cobertos de neve. Os gramados entre os trilhos e na estação cobertos de neve. As casinhas com telhados brancos de neve. As ruas cobertas de neve. Os picos das montanhas, já bem próximas, cobertos de neve! Neve que nunca havia visto ao vivo e em cores (monocromática, mas mesmo assim branco é uma cor). Mas estava tão perto de nós, menos de 3 metros! E não podíamos descer, tocar, pegar, experimentar (blergh, essa neve não deveria ser boa não) fazer qualquer coisa. O vidro era nossa fronteira para algo novo. Tivemos que nos contentar com a imagem e as fotos tiradas.
Agora é só esperar para ver se não haverá problemas com atraso.
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