22 de outubro de 2011

A incrível viagem à Paris...21/10/11

...ou como viajar de trem entre países pode ser bagunçado.

Uma coisa que eu tinha me esquecido de mencionar num post anterior foi que a viagem de trem para Paris não seria exatamente simples, ainda mais pelo fato de termos corrido o risco de ficar pelo meio do caminho. A cidade de fronteira entre Espanha e França, era parada obrigatória para mudar de trem. O problema que o horário que tinha para chegar até Paris estava lotado. Por sorte conseguimos vaga no último horário que seria às 10:26 e não mais às 7:20. Portanto o nosso cronograma havia se atrasado em 3 horas. Acontece.

Mas vamos por partes. Se ficarem cansados ou perderem algum passo, não se preocupem, Até eu fiquei com sono....

1)Porto São Bento -> Porto Campanhã

Era nosso primeiro trecho. O bom era que Porto São Bento erá 5 minutos do albergue e como já tinhamos passagens de Porto Campanhã (tem o ~, mas se pronuncia como se fosse ´) e era apenas 1 estação de distância. Nada de mais.

2) Porto Campanhã -> Coimbra-B

Como em várias cidades da Europa, Porto tem mais de uma estação de trem que vai para outros lugares, assim como Coimbra. Era algo a se prestar bastante atenção, pois dependendo da cidade, a distância entre uma estação e outra pode significar a perda de um trem. Outro ponto interessante era que nós pegariamos o trem Lisboa-Paris. Ou seja, estariamos pegando no "meio" do caminho. Ainda bem que por aqui esses esquemas são possíveis de fazer de qualquer lugar. O trem era simples e a viagem pouco mais de uma hora. Interessante que a estação de Coimbra-B nem se demonstra como uma estação de saída de trens internacionais. Depois de uns 40 minutos, chega nosso trem leito.

3) Coimbra-B -> Hendaye

Quem já viajou em trens noturnos pela Europa ou ainda conseguiu pegar o extinto Trem de Prata (eu peguei. Eu sei, estou velho) vai saber como é dormir em uma cama dentro de um trem. É barulhento, a cabine é apertada e fica balançando bastante. Quem precisa de um embalo para dormir, está feito. Do contrário, vai ter uma longa jornada pela frente. O bom era que tinha uma pia na cabine. Dava para tomar um banho de gato se necessário. E pelo menos o café da manhã estava incluído.

4) Hendaye -> Paris Montparnasse

Como já havia explicado, não conseguimos pegar o trem das 7:20, pois estava lotado. Tivemos então que esperar 3 horas para um trem livre. Deu tempo de dar uma cochilada na área de espera (fechada, com cadeiras e longe do frio que fazia) e aguardar. Hendaye é uma cidade de fronteira e litorânea. Pelo mapa na estação, dava para se ver onde ficava a praia e que a cidade era pequena (curiosamente, tem 12 escolas na cidade)

O caso digno de nota foi minha mãe decidir ir sozinha na padaria que ficava do outro lado da rua da estação. Como ela precisava um dia aprender a se virar nessas viagens deixei quieto. 10 minutos depois volta ela com um saco com sanduíches e dizendo que teve que fazer muita mímica para a mulher entender o que se queria. Vivendo e aprendendo.

O trem partiu até que no horário. Era um TGV (trem de grande velocidade, no francês). Ficamos no último vagão perto da porta. Por um lado era bom, pois não andaríamos muito para sair, mas por outro lado era ruim, pois todos os outros passageiros passariam por nós. O que se mostrou de certa forma inconveniente. Existiam várias paradas entre Hendaye e Bordeuax, que seria a última parada antes de Paris. O que entrou de gente nessas paradas, justificou o motivo de não termos conseguido um horário mais cedo. Eram dezenas de pessoas de idade avançada, com malas imensas e todos tinham o mesmo comportamento. Entravam no vagão e depois iam de um lado para o outro empurrando suas malas, procurando pelo lugar. Uma bagunça incrível. E os turistas de outros países que estavam lá (não pareciam ser muitos), estavam organizados e já devidamente sentados.

O mais interessante era que a maioria desses franceses turistas, iam tudo para Bordeaux! Ou seja, a viagem entre Bordeaux e Paris foi tranquila com o vagão na sua metade ocupada. Por mais bem estruturada que seja, acho que ainda precisa de alguns retoques esse sistema ferroviário europeu.

5) Paris Montparnasse

Parecia que tudo ia se ajeitar. Até chegarmos na estação em Paris. Conseguimos com um certo custo descer do trem. Andando pouco mais de 5 minutos chegamos até a estação (as plataformas são compridas e muito compridas) e tivemos que descer 3 andares por escadas-rolante (não mais elétricas, saímos de Portugal, ora pois) para chegar até o nível do metro. Por mais que você se prepare com as informações adequadas, sempre tem algo diferente na hora. Tive que procurar a linha que iriamos pegar (nos mapas de metro mostra-se cores, mas lá se orienta por números) e comprar os bilhetes. A entrada das áreas é que é um inferno. É um corredor estreito, com duas portas que se abrem quando você insere um bilhete. O problema era que tinham sensores para fechar as portas assim que o usuário passasse, mas esses sensores não levavam em conta que usuários poderiam estar com malas logo atrás.

Resultado: usuário (vulgo turista) passa, portas fecham e prendem a mala. Um casal de turistas ao lado estavam lutando bravamente contra as portas para liberar a mala (casal brasileiro, só para situar) e aconteceu com a mala da minha mãe. Mas nada como um preparo físico e uns bons chutes para soltar a mala. O problema foi que o sistema não quis aceitar o meu ticket logo em seguida. Quis nem saber. Havia do lado um corredor que as portas não estavam fechando. Passei meu bilhete para enfeite e fui direto. Essa confusão toda e não apareceu ninguém da estação ou segurança para saber o que estava acontecendo.

Outra coisa é o labirinto de corredores para chegar na estação que queriamos e na plataforma com o sentido que queriamos! Não bastava seguir em frente. Tinha que fazer curva, virar à esquerda e depois direita, descer escada e chegar numa plataforma que não dá nem um quarto de uma plataforma curta de São Paulo! Trem de Paris é curto e estreito. Nem sei como se conseguem andar com malas. O bom é que no caminho conseguimos ver o símbolo da cidade, a Torre Eifell (nunca lembro se é o F ou o L que se dobra no nome). O hotel até que foi fácil de se achar e ele é simples. Realmente só pra dormir e repor as energias. Sem café da manhã, mas Paris tem muitas padarias.

Não era exatamente a melhor opção ir de trem, mas como minha mãe e avião não se entendem bem (de forma unilateral para se deixar bem explicado), fomos de trem. Mas ela já se convenceu da próxima vez em fazer o trajeto de avião.


Amanhã postarei como foi o primeiro final de tarde em Paris e a andança do dia. To com uma semana de sono atrasado.

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